segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sobre fantasmas, purgatório e band-aid

"Na minha cultura, nós acreditamos que quando você morre, o seu espírito tem que subir uma montanha carregando as almas de todos aqueles com quem você errou na sua vida." [Kahler-Jex, em A Town Called Mercy]

Às vezes, eu penso se não é exatamente isto o purgatório que tanto falam: você ter que olhar e enfrentar de novo todos aqueles que você, de alguma forma, machucou durante a vida inteira. Todos aqueles que você enganou, querendo ou não. Mas bem... às vezes o purgatório pode ser durante uma noite de insônia, onde todos os teus erros vêm te assombrar, sem você saber por que. Ou, outras vezes, vêm quando você passa por uma situação parecida.
Um dos piores fantasmas que estão sempre comigo são os meus relacionamentos passados. Principalmente aqueles em que quem terminou mais machucado não fui eu. Todas elas que me amaram e eu não consegui amar de volta ou todas aquelas que eu deixei de amar primeiro. E talvez todas estas vezes eu tenha sido o culpado de toda a dor causada.
Eu tenho um medo terrível de machucar alguém. E às vezes isso só me faz machucar ainda mais. Como em vez de arrancar o band-aid de uma só vez, rápido e o mais indolor possível, eu, por medo de machucar, por pena, medo de me machucar ou medo de me arrepender depois, prefiro ir arrancando aos poucos, um micro-puxão de cada vez, uma dorzinha aqui e a outra ali. E isto só piora as coisas.
Às vezes, por não querer machucar ninguém, acabo machucando todo mundo.

"Correto, pois se for até lá e falar com ela, em 20 meses, vai acabar de um jeito ou de outro. Ou você vai enjoar de mim. Ou eu vou enjoar de você e seus hábitos idiotas. Você tem namorado por muito tempo, Ted. Alguma vez tomou outro rumo?" [Garota dos Casacos, em The Time Travelers]

domingo, 4 de agosto de 2013

Sobre preguiça, atração e doses de tequila

Às vezes, pra explicar pras pessoas (ou melhor, pra tentar fazer elas pararem de encher o saco) por que eu não invisto naquela mocinha que "combina muito com você e que é super legal (ou seja: feia) e que vocês definitivamente deveriam ficar juntos" eu digo que o meu problema é que eu sou muito preguiçoso para começar relacionamentos e que dependo de um alinhamento de pelo menos umas três galáxias e duas doses de tequila pra conseguir dar em cima de alguém. Mas a verdade não é tão simples assim, como sempre.
A minha (falta de) vontade e empenho pra investir em alguma guria depende muito mais dela do que de mim. Desculpe, mas eu não sou daqueles caras que dá em cima de uma feia as 3 da madrugada só pra não ir pra casa sozinho. Eu tenho critérios. E tenho até um gráfico que ajuda a explicar a situação:

Gráfico feito no paint porque eu sou oldschool e fiquei com preguiça de tentar com muita vontade no excel ou no origin.

Vamos por partes, como diria o nosso amigo Jack: o eixo X representa a atratividade relativa entre mim e a moça em questão: o ponto 0 seria uma situação em que ambos somos igualmente atraentes - ou seja, teríamos a mesma nota; à direita, ela sendo mais atraente que eu e à esquerda, eu sou o bonito da relação. Já o eixo Y é a quantidade de esforço que eu estaria disposto a desprender para que esta relação se desenvolva: se positivo, o esforço é meu. Se negativo, dela.
À esquerda do gráfico existe a Z.N.B., "Zona do Nem Bêbado". Ou seja, a partir daí, não interessa quanto esforço seja desprendido por ela - ou por qualquer outra pessoa interessada na relação - a probabilidade de um resultado positivo nesta relação é muito baixo, tendendo a menos infinito no ponto chamado por mim de R.C., "Regina Casé".
Entre a Z.N.B. e o ponto em que a linha cruza o eixo X, existe uma região em que o sucesso da operação depende muito mais da moça - ou, também, do ambiente e da minha condição alcoólica - do que de mim. Eu não vou investir nenhum esforço para o desenlace, mas também não é uma situação impossível - como eu disse, depende dela. Se ela me convencer - ou o meu nível alcoólico ou de carência estiver alto - temos um sucesso!
Caminhando mais um pouco para a direita, temos a região em que eu estaria disposto a desprender mais ou menos esforço para a relação se concretizar. A quantidade de esforço depende da atratividade relativa da moça, chegando ao máximo quando a senhorita em questão é um pouco mais atraente que eu. A partir deste ponto, eu fico menos disposto a empregar esforços devido à alta falibilidade da situação: se a moça em questão é muito mais bonita que eu, a chance de não dar certo é grande demais para valer o esforço. Aqui sim, pode se chamar de preguiça!
Na extrema direita do gráfico está a Z.M.A.P.M.C., ou "Zona do Muito Areia Pro Meu Caminhãozinho", em que o esforço necessário pra que a relação se concretize começa a ser da moça em questão de novo, uma vez que eu já considero o sucesso improvável, quiçá impossível - sim, uma atitude que muitos chamariam de covarde. Eu chamo de preservação de energia. O ponto mais à direita do gráfico é chamado de S.J., ou "Scarlett Johansson", em homenagem a moça que teria que rastejar para ter uma chance comigo. Principalmente porque iria ser muito difícil pra ela me convencer que ela me quer mesmo e não é uma pegadinha ou coisa do tipo.