domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sobre mentiras, realidade e peixes grandes

Como diria o grande Dr. House, todo mundo mente. Nunca conheci ninguém que não conta pelo menos uma mentirinha, por mais inofensiva que seja, por dia. E isso é um dos comportamentos mais humanos que existem, na minha modesta opinião: mentimos para nos proteger, por puro e simples prazer de enganar alguém por um tempo curto (geralmente algum amigo meio desligado) ou, por mais hipócrita que possa parecer, mentimos para proteger os outros.
Afinal, quando a sua namorada te pergunta "amor, você acha que eu engordei?" (e, acredite, você já se ferrou no momento que ela disse isso), é de bom tom que, por mais que ela tenha se tornado uma orca em 2 semanas, você diga que não - e, de preferência, com ênfase e persuasão suficiente para que pareça verdade mesmo -, evitando, assim, que a sua digníssima não fique triste e que, na medida do possível, evite brigas. Você está protegendo ela e se protegendo ao mesmo tempo, usando apenas uma mentirinha educada.
Mas não é sobre isso que eu queria falar; quero falar sobre o meu tipo preferido de mentira, que eu uso muito - e, geralmente, não me sinto nem um pouco mal por causa disso: A mentira como entretenimento ou para melhorar uma história.
Explico: quando você conta uma história qualquer, ela fica melhor, mais interessante, mais rica em vivacidade (que bonito!) quando o personagem principal é você mesmo ou o amigo do seu primo? Ou então, às vezes, é preciso aumentá-la um pouco, adicionando aqui e ali alguns eventos que não aconteceram, mas que deviam ter acontecido. Tudo isso apenas para enriquecer a sua história e torná-la mais interessante para a platéia.
Eu, confesso, uso muito deste recurso. Eu roubo tomo emprestadas histórias de outras pessoas - desde meu pai, amigos até gente que eu não conheço - e conto como se fossem minhas, aumentando ou tirando alguns itens, o que faz com que, na minha opinião, a história fique mais bonita, mais viva e, por que não?, mais real. Outras vezes, mantenho a história com seus personagens originais, apenas me incluo nela - mais como um observador que como um sujeito.
Um bom exemplo disso que eu falo existe no filme - que pra que ainda não viu, recomendo com muita força - Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (poder de síntese no título pra quê?), onde o personagem principal, Ed Bloom, mistura de uma forma brilhante fantasia e realidade, deixando as suas histórias muito mais ricas, ocilando entre a fábula e verdade.
Às vezes eu me sinto como enganando as pessoas quando conto essas minhas histórias; às vezes, como se eu tivesse roubando a História (com agá maiusculo) alheia para mim, e quase agindo como a minha não fosse digna de histórias - o que, lógico, não é verdade. Muitas das coisas que eu conto aconteceram mesmo, comigo e do jeito que é contada. Outras, eu prefiro dar algumas pinceladas de fantasia.
Mas, como fica claro no filme, não importa como aconteceu, e sim como as coisas são contadas.