sábado, 23 de janeiro de 2010

Anti-imperialismo Hipócrita

Sempre que alguém fala mal dos americanos - ou "estadunidenses", como alguns gostam de chamar - eu pergunto, geralmente deixando a pessoa sem resposta, se ela preferiria, então, os Chineses, Soviéticos ou Nazistas. Porque, sem sombra de dúvidas, eram e são estas as outras opções que nos restam e, sinceramente, não acho que nenhuma delas iria melhorar a nossa vida.
Tudo bem, eu até entendo um pouco dessa reclamação, já que, nesse mundo - e em todos os outros não deve ser muito diferente - a vontade do mais forte sempre vai prevalecer e, por enquanto, os mais fortes são eles. Mas, afinal, eles não fazem nada mais que defender o que julgam ser melhor pra eles e, creio eu, usam bem menos meios "escusos" do que usariam as nossas outras três opções.
E outra: todo mundo torce para que os EUA acabem, não vêem a hora de aquele país falir ou, alguns mais radicais, para ele ser destruído de uma forma ou de outra. Mas a verdade é que o mundo depende deles e, se eles caírem, caímos todos. Se acham ruim com eles, seria, acredite, muito pior sem eles. Mas já chego nesse assunto.

O que anda me revoltando ultimamente é uma certa fúria anti-imperialista de certas pessoas por causa do envio de soldados americanos para o Haiti. Muito veem como uma interferência dos EUA naquele país ou como a sanha imperialista do Tio Sam, tentando controlar todo mundo. O fato é que, se os ianques tivessem virado as costas e não enviado a ajuda que mandou, a situação, que já é desesperadora, beiraria ao caos absoluto.
Explico: a ONU tem cerca de 9 mil soldados de 19 países (está enviando, depois de muito custo, mais 3.500), sob a liderança do Brasil. Os EUA, só no primeiro dia, enviou cerca de 1.000 homens para lá e agora eles já somam mais de 20.000. Numa situação em que reina o caos, o desespero e a violência aumenta a cada dia, soldados são extremamente necessários para manter a ordem, além de toda a questão logística para a ajuda humanitária.
E agora pergunto: algum outro país no mundo poderia (ou digo mais, poderiam todos os outros países do mundo, juntos) dispor de uma força deste tamanho em tão pouco tempo? Duvido muito. E além de toda esta ajuda com pessoal, ainda tem a questão financeira, que os Americanos têm muito mais poder para ajudar.
E, enquanto isso, ao enviar tropas para ajudar a manter a ordem ao máximo possível em uma situação caótica como estas, além de resolver problemas de logística para a ajuda humanitária - acreditem, sem os militares americanos, a ajuda iria ter muito mais dificuldades para chegar onde precisa -, ainda tem gente, entre eles, representantes do governo brasileiro, que não se aguenta em gritar que estamos vendo uma interferência imperialista no Haiti. Haja paciência.

Se está, dizem, ruim com os americanos, eu digo que estaria bem pior sem eles. Devemos um mundo livre, por exemplo, do Facismo (coloco o Nazismo junto aí) ou do Comunismo - como disse Humberto Gessinger: facistas de direita, facistas de esquerda, são todos iguais - graças à eles, principalmente. Não nego que, por exemplo, a II Guerra Mundial teria sido ganha apenas pelos americanos, mas a ação deles foi decisiva. Afinal, sem o Dia D, que teve planejamento e execução principalmente americanas (com Ingleses e Canadenses também, claro), não se sabe se os Soviéticos continuariam em guerra contra o Eixo. Talvez, então, teríamos um mundo bem pior que o que temos agora - isso se ele ainda existisse.
Afinal, devemos grande parte dos avanços tecnológicos, que possibilitam um conforto e uma rapidez na informação que os nossos antepassados não tiveram, e dos avanços na medicina - só para citar poucos exemplos - à eles. E muito mais.
O que eu não entendo, mesmo, são aquelas pessoas anti-americanas que não sabem o quanto são hipócritas. Consomem tudo o que há de bom daquelas terras com a maior boa vontade, mas não se aguentam em reclamar de uma suposta imposição dos costumes de lá aqui. Assistem a filmes, leem livros, usam roupas e tecnologia americanas - mas quanto a isso, quando é bom para eles, nunca reclamam - e acham que por não beberem coca-cola ou comerem no McDonald's, não precisam de nada quem vem de lá.

Pra começar, se é pra ser anti-americano de verdade mesmo, é bom começar por desconectar a internet e desligar o computador.

4 comentários:

  1. Tinha escrito um monte e minha internet caiu.
    =/

    Vou tentar resumir, a questão não é ser anti-americano, mas ser anti-imperialista. Eu sei que existem os anti-americanos também, mas esses eu deixo de lado.

    Só não confunda as coisas. Os EUA tem mandado exército para o Haiti, como fizeram com vários países em toda sua história e nenhum dessas vezes foi ajuda gratuita, existia um questão politica de dominação daquele país. Isso é imperialismo.

    Não escolheria nenhuma das alternativas por que a questão não é escolher qual o país deve ser dominante, mas existir país dominante com práticas imperialistas.

    Provavelmente a gente concordaria com várias críticas a URSS, nunca defendi os sovieticos e provavelmente nunca vou defender. Porém queria acrescentar alguns fatos na história da Segunda Guerra. A URSS teve grande participação na derrota dos nazistas, provavelmente se os EUA não tivessem agido rapido, os sovieticos teriam derrotado os nazistas antes. Ali começou a guerra fria, tanto é que Berlim foi dividida.

    Sobre a hipocrisia, te indico a leitura do Manifesto Antropofagico de Oswald de Andrade. A questão não é deixar de consumir cultura norte-americana, mas entender que o "American Way of Life" foi e é uma forma de dominação imperialista dos EUA. Só pegar a política de boa-vizinhança dos americanos.

    Espero ter lembrado de escrever tudo. Discordo também de que se os EUA caísse o mundo cairia com ele, mas isso é uma discussão econômica muito grande.

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  2. @Balão
    O que eu quis falar é justamente dos anti-americanos mesmo. Entendo o que você quis dizer e também sou contra imperialismos, mas acho que o imperialismo americano é um dos mais brandos que já existiu. (sou só um curioso em História, mas entendo um bom tanto)
    Quanto a URSS e a WWII, dizem que SE os americanos e ingleses não tivessem invadido a Europa, os Russos iriam desistir da guerra contra o Nazismo, talvez até se aliando a Alemanha. Mas é só no campo do SE, então não dá pra ter certeza.
    O texto é mais sobre aquelas pessoas que odeiam tudo o que dizem que vêm dos EUA, mas fecham os olhos pra consumir o que é bom pra eles, como os exemplos que eu citei.
    E vamos deixar as discussões econômicas (tudo no campo das hipóteses também) pra outra hora. hehehe

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  3. nossa,gostei!
    agora sim, voltou com tudo =D

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  4. Olha amigo , para começar o tema é "Anti-imperialismo Hipócrita"
    vc passou o texto todo falando "anti-americano" , o fato nao é nao gostar de americanos , mas sim do imperalismo , "se você tivesse estudado algo" veria que os EUA é o país mais imperalista existente, mas isto nao é tudo , nao estamos aqui a falar mal dos EUA , pq também tem muitos paises imperalistas , Haiti foi um desastre , eu apoio a ajuda dos EUA ao Haiti , e vejo como bom , mas se você também concorda com fazer vôos para cuba para queimar canaviais , intervir no vietnã , invadir o Iraque e o Afegaristão , matar lideres como Lumumba e Che Guevara eu diria que vc é hipócrita
    nao sou contra os EUA , mas sim contra o imperalismo , olha como está a África com batalhas étnicas tudo por causa do imperalismo europeu , que enfraquecidos pela 2ª guerra , deixaram e dividiram povos amigos entre paises e deixaram os inimigos dentro do mesmo território

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