sábado, 27 de março de 2010

Currahee

Quem me conhece, sabe: eu sou fanático por História - e o meu assunto preferido nisso é a Segunda Guerra Mundial, com certeza. E foi essa minha curiosidade que me levou a ver, primeiro, a série (e isso já faz um tempo) e, agora, a ler o livro Band of Brothers - o primeiro, produzido pela HBO e o último, escrito por Stephen E. Ambrose.
Ambos contam a história da Companhia Easy do 506º Regimento de Infantaria Pára-Quedista da 101ª Divisão Aerotransportada do Exército Americano durante a Segunda Guerra Mundial. Os dois começam com o treinamento da companhia no Centro de Instrução Militar de Toccoa e a acompanha até a sua última missão na Guerra, a tomada de Berchtesgarden e de Aldershorst, o Ninho da Águia, uma das moradias preferidas de Hitler - passando pela Normandia no Dia D, Holanda Bastogne (Bélgica), e um campo de concentração na Alemanha.
A série é simplesmente fantástica: ocupa, com certeza, a posição de melhor série que eu já vi até hoje. Tanto que, pela primeira vez na vida, eu achei que, no geral, a série/filme/etc é melhor que o livro em que foi baseada - e isso, acreditem, vindo de mim quer dizer muito.
O que contou para que a série fosse melhor que o livro, em parte, foi o fato que este não foi escrito como um romance ou uma história, se é que me fiz entender. É um livro de História (com agá maiúsculo mesmo), que conta detalhes dos fatos, misturando documentos - quase na totalidade cartas do praça Webster - e depoimentos dos envolvidos - principalmente do Tenente/Capitão/Major Winters (o soldado mais foda que o mundo já conheceu, com toda a certeza).
Devido ao livro ser assim, você perde um pouco da emoção da história e se envolve menos com os personagens dela, o que não acontece com a série, claro. Como se trata de um material audio-visual, é lógico que apele mais para emoções que com a acuracidade com o que de fato aconteceu. Um exemplo disso é a descoberta do campo de concentração, muito explorada na série, enquanto no livro são dedicadas menos de 20 linhas para isso.
É claro que a série tem alguns erros históricos e algumas simplificações, para facilitar o desenrolar da mesma, mas isso de forma alguma chega a compromete-la. Para quem quer saber o que aconteceu de fato com mais precisão, recomendo fortemente o livro, embora a série já tenha uma boa narrativa dos fatos.
E agora a HBO, de novo junto com o Steven Spielberg e o Tom Hanks - produtores de Band of Brothers - lançou uma nova série sobre a Segunda Guerra: The Pacific, que, como o nome já diz, conta a história da guerra no Teatro de Operações do Pacífico. Acredito que essas duas séries vão contar a história da Segunda Guerra de uma maneira definitiva.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sobre homens, mulheres e a caça

Este post é uma resposta a (ou pelo menos foi motivado por) este post aqui, da Aninha. Acho que é melhor ler antes deste.

Antes de falar o que eu tenho que falar, preciso citar as palavras de sabedoria do meu pai, o Grande Seu Agostinho. Disse ele: "mulher não pensa, cisma. E quando cisma com alguma coisa, não há quem tire isto da cabeça dela". Palavras da salvação.
Mulher cisma até quando diz não cismar, até quando diz ser diferente de todas essas mulherzinhas que ficam por aí, cismando. Mulher complica - e se complica - até pra se dizer mais simples que as outras. E, às vezes, perde o essencial quando foca em algo muito particular - ou em comparações não tão boas assim.
E outra: mulher maluca é pleonasmo. É condição sine qua non (sempre quis escrever isso aqui!!) para ganhar os dois X quando vem ao mundo. Mas se não fosse assim, sinceramente, perderia boa parte da graça.

Antes de falar da mulher, vamos tentar mostrar como funciona um homem (não, não desse jeito que vocês estão pensando):
O homem, esse bicho nojento, peludo, fedido e que peida e arrota sem parar é biologicamente capacitado, desde o começo da evolução da espécie, a ser, basicamente, um guerreiro e um caçador: é mais forte que a sua contraparte feminina, corre mais rápido, tem uma visão melhor em profundidade, consegue ficar esperando até a oportunidade certa chegar e, principalmente, consegue ficar quieto por bastante tempo - condição, creio eu, que foi decisiva para os homens, e não as mulheres, serem escolhidos para serem os caçadores das tribos.
E, por serem os caçadores, os homens estão acostumados - e creio, com o passar do tempo começaram a gostar - de sempre espreitar a presa, analisar os seus hábitos, avaliar as suas chances e, então, partir para o ataque: tomar a iniciativa da coisa. E, então, vem a emoção da caçada, a adrenalina no máximo, a necessidade de ter que contornar toda dificuldade que a presa tenta trazer para o caçador. É obrigação dela tentar dificultar a caçada e obrigação dele superar essas dificuldades.
Talvez seja por isso que os homens têm aquela preferência inegável pelas coisas mais difíceis. O que é muito fácil perde logo a graça.

E, antes de tudo, tenho que dizer, claramente: não, não temos - tirando as exceções de praxe, claro. E acredito que vocês nem estariam interessadas nelas - nenhum problema com mulheres bem resolvidas, que sabem o que querem e tudo mais. Até, sinceramente, gostamos disso: cu doce demais enche o saco. O problema, mulheres, é que nós precisamos da emoção da caçada. E isso é sempre, não só no começo de um relacionamento.
Vocês tomarem a iniciativa é legal, sim; mas de vez em quando! Desculpa o que pode parecer machismo, mas nós somos homens, machos, precisamos pelo menos fingir - e, principalmente, acreditar - que temos o comando da situação, que tomamos a iniciativa; a gente precisa ser aquele que te joga na parede, não o contrário! O que não quer dizer que queremos mulheres submissas!
A gente reclama dos joguinhos que vocês - ou pelo menos a maioria de vocês - fazem porque é chato, sim. A gente reclama que mulheres são confusas porque isso é ruim, claro! Mas no fundo - ou nem tão no fundo assim - nós sabemos que precisamos disso, que se não fosse assim, perderíamos logo o interesse. Essa dificuldade toda no processo valoriza o resultado.

Nós não gostamos dos seus joguinhos, das suas confusões, das suas loucuras e das dificuldades que vocês colocam pra gente. Mas a gente precisa delas, porque a gente precisa daquela emoção da caçada em quase todos os momentos das nossas vidas.

terça-feira, 16 de março de 2010

Análise de Alma VI: Insatisfação

O ano letivo começou - infelizmente, porque eu gosto tanto daquele lugar quando tá vazio - e todos os dias, pelo menos até sair a nota da primeira prova - eu vejo cenas que seriam bonitas se não fossem tristes: aquele bando de calouro, deslumbrado com a faculdade nova, achando que a maior realização da vida deles foi ter passado no vestibular; que eles já fizeram a parte deles e que agora é - quase - tudo lucro. Assim como quando eu vejo alguma formatura, com todo mundo feliz da vida achando que cumpriu a sua função no mundo. É nessas horas que eu percebo o quanto eu sou chato - ou, pelo menos, como eu nunca fico satisfeito comigo mesmo.
Eu sou terrivelmente exigente, isso é fato. Mas quem reclama que eu cobro muito das pessoas deveria ver o quanto eu cobro de mim mesmo: acho que, se fosse outra pessoa que tivesse o mesmo nível de cobrança comigo que eu tenho (ficou confuso isso!!), eu já teria mandado a pessoa tomar no cu catar coquinho na ladeira.
Ou talvez até exigência ou cobrança não sejam exatamente os termos certos. O mais certo seria dizer que eu estou sempre insatisfeito com o que eu consegui fazer: eu estou sempre pensando no próximo passo, no que eu tenho que fazer logo após eu terminar o que eu to fazendo e no quanto isso vai ser difícil. E eu, sinceramente, não sei se isso é bom ou se é ruim.
Por exemplo, quando eu me formei eu era um dos poucos - ou o único - que não estava com aquele pensamento, na festa, de que "a gente mereceu tudo isso". Pra mim era mais um "não fez mais que a tua obrigação, piá de merda". Eu tava feliz, claro, mas não tinha aquele deslumbramento de que eu tivesse feito algo digno de nota, como se fosse quase impossível o que eu fiz. Até quando eu recebia os parabéns eu ficava meio sem jeito; talvez eu me sentisse melhor se alguém desse um tapa nas minhas costas e falasse algo como "boa, piá! E agora?" Até agora, nem terminei o mestrado e já tô pensando no que eu vou fazer no doutorado e além.
E talvez isso tudo se reflita aqui no blog, de certa forma. Eu sou tão exigente comigo mesmo que apago milhares de vezes uma postagem por completo porque não senti que ela tava legal; ou até acabo postando, principalmente quanto estou há tempos sem postar nada, mas, na verdade, eu fico achando que o texto tava uma merda. Eu até evito ao máximo revisar os posts antes de postar, porque eu sei que eu não vou gostar do que tá escrito e vou apagar tudo - mas eu sei que isso não justifica os erros (alguns feios) que tem por aqui; por eles, peço desculpas eternas e peço que me avisem quando encontrar algum.
O fato é que eu sou exigente demais comigo e, por melhor que seja alguma coisa que eu acabe fazendo, eu sempre vou estar achando que podia ser melhor. Mas eu sinceramente não sei até que ponto isso é bom ou ruim.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Top 5 Músicas Crássicas

Existem músicas que você nunca ouve normalmente - em casa, no carro ou qualquer coisa do tipo - mas que todo mundo sabe ela (quase) inteira. E são essas músicas que nunca podem faltar em festas. Algumas músicas, cada uma com o seu momento, interpretação e clima,  eu considero que, se não toca em uma casamento/formatura/baile qualquer, esta festa perde boa parte do seu valor e importância. Vamos a elas.


05 - Não Quero Dinheiro, Só Quero Amar - Tim Maia
Se tem um indivíduo no mundo que fica parado quando toca essa música, eu nunca vi. Todo mundo pula, bate no peito dizendo que só quer amor, não quer dinheiro nenhum, essas coisas. E a letra da música é fácil (como a maioria das do Tim Maia), então todo mundo sabe ela de cor. Se você tá sozinho a muito tempo, então, que você canta com aqueeeela emoção toda. Coisa linda de ver.

04 - Fogo e Paixão - Wando
Um clássico da música brasileira, de um dos maiores poetas que já nasceram no Brasil! Essa música é aquela que você olha nos olhos da menina que você quer conquistar, declama essa pérola e, ao final, chama de princesa. É certeza que funciona! Se não funcionar, é porque aquela maldita é uma vaca insensível que não sabe o que é romantismo.

03 - Sandra Rosa Madalena - Sidney Magal
É a hora de mostrar todo o seu mojo, sua malemolência e a sua ginga. Puxe a mulher mais próxima de você, faça a sua cara de amante latino de radionovela e abuse dos movimentos bruscos enquanto dança. Com certeza vai fazer sucesso e, se a tua parceira te acompanhar a contento, vai abrir aquela rodinha para que todos no lugar possam ver vocês dançando.

02 - Boate Azul - Qualquer dupla sertaneja já tocou essa merda
A emoção à flor da pele. Com isso pode se resumir tudo o que significa essa grande música. Tudo o que você precisa fazer é abraçar todos os amigos bêbados que conseguir e deixar a emoção fluir. Cante gritando, bata no peito e, se não conseguir segurar as lágrimas, deixe que elas rolem pelo seu rosto: não é vergonha alguma!

01 - Robocop Gay - Mamonas Assassinas
Essa é a música em que todo machão libera a Butterfly que existe dentro dele! Aquele bando de homem larga as suas namoradas e começam a se agarrar, e a rebolar e a interpretar a música. Pior para aquele que é considerado um "Moreno simpático" pela horda. Esse vai sofrer! E se você souber os backing vocals, melhor ainda!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sobre mentiras, realidade e peixes grandes

Como diria o grande Dr. House, todo mundo mente. Nunca conheci ninguém que não conta pelo menos uma mentirinha, por mais inofensiva que seja, por dia. E isso é um dos comportamentos mais humanos que existem, na minha modesta opinião: mentimos para nos proteger, por puro e simples prazer de enganar alguém por um tempo curto (geralmente algum amigo meio desligado) ou, por mais hipócrita que possa parecer, mentimos para proteger os outros.
Afinal, quando a sua namorada te pergunta "amor, você acha que eu engordei?" (e, acredite, você já se ferrou no momento que ela disse isso), é de bom tom que, por mais que ela tenha se tornado uma orca em 2 semanas, você diga que não - e, de preferência, com ênfase e persuasão suficiente para que pareça verdade mesmo -, evitando, assim, que a sua digníssima não fique triste e que, na medida do possível, evite brigas. Você está protegendo ela e se protegendo ao mesmo tempo, usando apenas uma mentirinha educada.
Mas não é sobre isso que eu queria falar; quero falar sobre o meu tipo preferido de mentira, que eu uso muito - e, geralmente, não me sinto nem um pouco mal por causa disso: A mentira como entretenimento ou para melhorar uma história.
Explico: quando você conta uma história qualquer, ela fica melhor, mais interessante, mais rica em vivacidade (que bonito!) quando o personagem principal é você mesmo ou o amigo do seu primo? Ou então, às vezes, é preciso aumentá-la um pouco, adicionando aqui e ali alguns eventos que não aconteceram, mas que deviam ter acontecido. Tudo isso apenas para enriquecer a sua história e torná-la mais interessante para a platéia.
Eu, confesso, uso muito deste recurso. Eu roubo tomo emprestadas histórias de outras pessoas - desde meu pai, amigos até gente que eu não conheço - e conto como se fossem minhas, aumentando ou tirando alguns itens, o que faz com que, na minha opinião, a história fique mais bonita, mais viva e, por que não?, mais real. Outras vezes, mantenho a história com seus personagens originais, apenas me incluo nela - mais como um observador que como um sujeito.
Um bom exemplo disso que eu falo existe no filme - que pra que ainda não viu, recomendo com muita força - Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (poder de síntese no título pra quê?), onde o personagem principal, Ed Bloom, mistura de uma forma brilhante fantasia e realidade, deixando as suas histórias muito mais ricas, ocilando entre a fábula e verdade.
Às vezes eu me sinto como enganando as pessoas quando conto essas minhas histórias; às vezes, como se eu tivesse roubando a História (com agá maiusculo) alheia para mim, e quase agindo como a minha não fosse digna de histórias - o que, lógico, não é verdade. Muitas das coisas que eu conto aconteceram mesmo, comigo e do jeito que é contada. Outras, eu prefiro dar algumas pinceladas de fantasia.
Mas, como fica claro no filme, não importa como aconteceu, e sim como as coisas são contadas.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Anti-imperialismo Hipócrita

Sempre que alguém fala mal dos americanos - ou "estadunidenses", como alguns gostam de chamar - eu pergunto, geralmente deixando a pessoa sem resposta, se ela preferiria, então, os Chineses, Soviéticos ou Nazistas. Porque, sem sombra de dúvidas, eram e são estas as outras opções que nos restam e, sinceramente, não acho que nenhuma delas iria melhorar a nossa vida.
Tudo bem, eu até entendo um pouco dessa reclamação, já que, nesse mundo - e em todos os outros não deve ser muito diferente - a vontade do mais forte sempre vai prevalecer e, por enquanto, os mais fortes são eles. Mas, afinal, eles não fazem nada mais que defender o que julgam ser melhor pra eles e, creio eu, usam bem menos meios "escusos" do que usariam as nossas outras três opções.
E outra: todo mundo torce para que os EUA acabem, não vêem a hora de aquele país falir ou, alguns mais radicais, para ele ser destruído de uma forma ou de outra. Mas a verdade é que o mundo depende deles e, se eles caírem, caímos todos. Se acham ruim com eles, seria, acredite, muito pior sem eles. Mas já chego nesse assunto.

O que anda me revoltando ultimamente é uma certa fúria anti-imperialista de certas pessoas por causa do envio de soldados americanos para o Haiti. Muito veem como uma interferência dos EUA naquele país ou como a sanha imperialista do Tio Sam, tentando controlar todo mundo. O fato é que, se os ianques tivessem virado as costas e não enviado a ajuda que mandou, a situação, que já é desesperadora, beiraria ao caos absoluto.
Explico: a ONU tem cerca de 9 mil soldados de 19 países (está enviando, depois de muito custo, mais 3.500), sob a liderança do Brasil. Os EUA, só no primeiro dia, enviou cerca de 1.000 homens para lá e agora eles já somam mais de 20.000. Numa situação em que reina o caos, o desespero e a violência aumenta a cada dia, soldados são extremamente necessários para manter a ordem, além de toda a questão logística para a ajuda humanitária.
E agora pergunto: algum outro país no mundo poderia (ou digo mais, poderiam todos os outros países do mundo, juntos) dispor de uma força deste tamanho em tão pouco tempo? Duvido muito. E além de toda esta ajuda com pessoal, ainda tem a questão financeira, que os Americanos têm muito mais poder para ajudar.
E, enquanto isso, ao enviar tropas para ajudar a manter a ordem ao máximo possível em uma situação caótica como estas, além de resolver problemas de logística para a ajuda humanitária - acreditem, sem os militares americanos, a ajuda iria ter muito mais dificuldades para chegar onde precisa -, ainda tem gente, entre eles, representantes do governo brasileiro, que não se aguenta em gritar que estamos vendo uma interferência imperialista no Haiti. Haja paciência.

Se está, dizem, ruim com os americanos, eu digo que estaria bem pior sem eles. Devemos um mundo livre, por exemplo, do Facismo (coloco o Nazismo junto aí) ou do Comunismo - como disse Humberto Gessinger: facistas de direita, facistas de esquerda, são todos iguais - graças à eles, principalmente. Não nego que, por exemplo, a II Guerra Mundial teria sido ganha apenas pelos americanos, mas a ação deles foi decisiva. Afinal, sem o Dia D, que teve planejamento e execução principalmente americanas (com Ingleses e Canadenses também, claro), não se sabe se os Soviéticos continuariam em guerra contra o Eixo. Talvez, então, teríamos um mundo bem pior que o que temos agora - isso se ele ainda existisse.
Afinal, devemos grande parte dos avanços tecnológicos, que possibilitam um conforto e uma rapidez na informação que os nossos antepassados não tiveram, e dos avanços na medicina - só para citar poucos exemplos - à eles. E muito mais.
O que eu não entendo, mesmo, são aquelas pessoas anti-americanas que não sabem o quanto são hipócritas. Consomem tudo o que há de bom daquelas terras com a maior boa vontade, mas não se aguentam em reclamar de uma suposta imposição dos costumes de lá aqui. Assistem a filmes, leem livros, usam roupas e tecnologia americanas - mas quanto a isso, quando é bom para eles, nunca reclamam - e acham que por não beberem coca-cola ou comerem no McDonald's, não precisam de nada quem vem de lá.

Pra começar, se é pra ser anti-americano de verdade mesmo, é bom começar por desconectar a internet e desligar o computador.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Análise de Alma IV: Ridículo

Oswaldo Montenegro, antes da música O Chato, no album (ia falar CD, mas naquela época não tinha essas coisas) ao vivo de 1988 diz que, além do já famoso Pecado Original, temos um Ridículo Original. Como ele mesmo disse, "aquela cara de quem vai tropeçar na frente da namorada". Tenho que concordar com ele e não posso esconder que eu tenho este lado patético meio acentuado. Sou daquelas pessoas que faz humor involuntário - e isso não é sempre bom, mas também não é tão ruim assim.
Eu sou aquele cara que vai fazer todo mundo rir sem querer e nas horas mais impróprias. Seja por um tropeço, um gesto ou uma palavra dita na hora errada, eu vou fazer com que as atenções de todo mundo sejam atraídas pra mim e isso vai ser engraçado. Costumo dizer, ás vezes, que eu sou o alívio cômico do mundo: aquele personagem que sempre faz alguma cagada e faz rir não por ser engraçado, mas por ser ridículo.
Mas não tem situação que esse meu lado ridículo se manifeste mais do que quando eu preciso impressionar alguém. Eu vou tropeçar, vou falar merda, vou derrubar e quebrar as coisas, eu perco a fala... E isso ou vai acabar com qualquer chance que eu tivesse ou vai ser bom, ajudando a quebrar o gelo e fazendo com que a guria ria da minha cara. De qualquer forma, ajuda a resolver a situação, para o bem ou para o mal.
E o pior de tudo é que eu não posso fazer nada pra mudar isso. Mas, de qualquer forma, ser ridículo assim já me ajudou em muitas coisas; e me prejudicou em outras tantas. Mas tá bom assim mesmo.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sobre o Tempo

Uma das coisas que eu menos entendo - ou que, pelo menos, faz menos lógica pra mim - no mundo é o tempo; ou, melhor, o modo que medimos ele. O dia que eu for o rei do mundo - o que é um dos meus principais objetivos da minha vida -, tudo isso vai mudar. O tempo vai ser medido de uma forma muito mais simples do que é agora. Deixa eu explicar como que vai ser.

Eu tenho um sério problema - e me sinto muito idiota por causa disso - com o sistema hexadecimal do tempo. Não entra na minha cabeça que meia hora é 30 minutos e não 50. Afinal de contas, o mundo que a gente vive é quase totalmente decimal, tudo é resolvido nos múltiplos de 10; então pra que inventar essa história de que um dia tem 24 horas e cada hora tem 60 minutos e assim por diante?
Eu, pesquisando no onisciente, descobri que na França, logo após a Revolução Francesa, foi implantato o Tempo Decimal. O dia tinha 10 horas, cada hora era dividida em 100 minutos e cada minuto, em 100 segundos. Tudo muito mais simples e mais fácil de se entender, não? Ninguém mais ia se perder nesse maldito sistema hexadecimal. O único problema desse Tempo Decimal, é que ainda se repete um dos maiores problemas do nosso relógio, que falo a seguir.

O mais estranho pra mim é o dia começar a meia-noite. Não faz sentido algum o dia acabar e o seguinte começar no meio da noite!! Ainda mais em uma hora que eu estou acordado, entende? E daí ainda tem aquela coisa idiota de gente babaca que, quando você fala que vai fazer uma coisa amanhã e diz "amanhã não, hoje! Já passou da meia noite!". Pra mim, sinceramente, o ideal seria que o dia começasse quando o sol nasce. Simples assim!
Ok, tem o problema que o sol não nasce exatamente na mesma hora do dia todos os dias, mas todos nós sabemos que é sempre por volta das 6:00 da manhã. Então não seria MUITO mais fácil se a porcaria das 6:00 fosse, então, as 0:00? Afinal de contas, é naquela hora que o dia REALMENTE começa, não? O sol nasceu, começou o dia.

Outra grande problema, pra mim, com o tempo são os meses. Ou, mais precisamente, o nome deles e a duração de cada um. Por que, por exemplo, DEZembro é o mês 12 e não o 10? E outra, por que alguns meses tem 31 e outros 30 dias? E pior ainda, por que o coitado do fevereiro só tem 28? Tem algo muito errado com tudo isso, não acha? O calendário, em vez de deixar as coisas mais fáceis, complica tudo. Por isso, quando eu for o dono do mundo - o que está muito próximo, acreditem -, vai ser implementado um calendário parecido com o do Condado (ver Apêndice D do Senhor dos Anéis), com algumas mudanças.
Pra começar, 10 meses (vocês já devem ter percebido que eu tenho uma certa obcessão por números redondos, múltiplos de 10), todos, sem exceção, com 36 dias cada um. E, pra simplificar, serão chamados Umzembro, Doizembro, Trezembro... e assim por diante até o nosso Dezembro. Com os 5 dias restantes, seria o seguinte: o primeiro e o último dia do ano, assim como os 3 do meio dele, seriam feriados, dias de festa e vadiagem, que estariam, digamos assim, fora do calendário. Nos anos bissextos, teria dois dias do meio do ano.A semana teria um dia a mais no final de semana, entre o sábado e o domingo, cujo nome ainda precisa ser decidido. Assim, todo ano começava no Domingo e terminava nesse segundo Sábado.

Na minha opinião, seria tudo muito mais fácil assim. Afinal de contas, vivemos num mundo em que quase tudo é decimal; então por que manter o tempo em um formato diferente? Agora só falta eu me tornar o dono do mundo pra consertar isso.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Análise de Alma III: Gregos e Troianos

E, continuando com a série da análise da minha alma - sim, eu tenho uma, por mais difícil de acreditar que seja -, um dos, na minha opinião, meus maiores defeitos ou falhas de personalidade; pelo menos um dos que mais me complica a vida: eu tenho uma certa necessidade de tentar agradar a todo mundo, escutar demais a opinião dos outros e, principalmente, deixar que se metam por demais no que acontece comigo. E, como é fácil de adivinhar a partir de então, isso me traz sérios problemas e me obriga a coisas que eu não queria fazer.
Talvez isso tenha uma certa relação com o post anterior, mas o fato é que eu não consigo agir de um jeito que vá fazer mal às pessoas, principalmente as que eu gosto, por mais que seja alguma coisa que eu queira muito. Por isso, às vezes eu acabo abrindo mão do que eu quero ou, mais frequentemente, tento fazer isso escondido de quem eu sei que não vai gostar. O problema é que sempre descobrem e tudo acaba sendo ainda poir.
Outro problema é que eu sempre tento escutar o máximo possível de opiniões das outras pessoas, por mais que o assunto não diga respeito a mais ninguém além de mim. Não sei se é uma necessidade de agradar os outros ou se é um problema de indecisão, mas eu sempre considero bastante as outras opiniões - talvez até pelo fato de eu, geralmente, ter bons amigos que sempre tem uma opinião parecida com a minha ou com o que é o certo, que eu escuto as outras pessoas, mesmo quando não é esse o caso.
E também, mas não menos importante, é que algumas pessoas abusam - a maioria, sem direito. eu, nesses últimos anos, ando meio devagar em me irritar com a maioria das situações e, em geral, tenho uma raiva mais branda, contida - talvez porque, quando eu era mais novo, era meio, digamos, esquentado. E as pessoas, em geral, confundem essa raiva branda, contida, com aceitação da situação e continuam a interferir nos meus assuntos. O problema é que uma hora eu posso não conseguir me controlar mais...

Eu, ultimamente, ando mais intolerante com estas coisas, mas ainda espero que as pessoas descubram que estão se metendo onde não deviam por si só - por isso continuo quieto. Mas acho que vai chegar a hora que eu não vou mais conseguir. E isso tem tudo pra ser ruim - principalmente pra mim...

domingo, 3 de janeiro de 2010

Análise de Alma II: Bonzinho


Eu, apesar de não saber exatamente o porquê disso, tenho uma certa fama (ou cara, ou jeito, enfim) de ser um cara, vamos dizer assim, "bonzinho". E isso, na minha opinião e por experiência própria, pode ser tanto uma benção quanto uma maldição - como quase tudo na vida, afinal. Eu não posso negar que já recebi alguns votos de confiaça que não merecia - não naquele momento, pelo menos -, mas também já fui cobrado muito por muitas coisas que eu não tinha prometido, só pelo fato de ser assim, "bonzinho".
Dá pra se dizer que isso de "ser bonzinho" é uma fama que, querendo ou não, vai se construindo, acima de tudo, apesar de ter o seu fator de cara/jeito/modo de agir, que faz com que as pessoas pensem isso de você logo de cara. Não sei se é a minha cara ou meu jeito de andar que faz com que as pessoas comecem a achar que eu sou um cara bonzinho, mas eu tenho que admitir que eu, de certa forma, na medida do possível e no limite do bom-senso, sei usar isso.
Afinal de contas, ter esse jeitão de bonzinho te abre portas. Você se torna uma pessoa mais confiável por causa disso, instantaneamente e todo mundo vai te tratar melhor e esperar coisas boas de você. Mas tem um problema: a partir do momento que você fizer alguma coisa errada ou ruim, as pessoas vão te cobrar. E em dobro do que cobrariam qualquer outra pessoa. Afinal de contas, é você fazendo aquilo, você, o bonzinho, o confiável. O choque das pessoas vai ser grande e, por isso, vai ser grande também a aporrinhação.
Mas o maior problema, na minha opinião, é que parece que, por causa disso, você não sabe se divertir. Por ter uma imagem muito certa, muito confiável, ninguém vai esperar que você cometa aquelas pequenas trasngressõezinhas que faz com que a diversão aconteça. E isso é um problema, por que você sempre vai ter a fama de chato - ou, quando muito, sem graça. Mas, por outro lado, é legal ver a reação dos outros quando você mostra que, afinal de contas, não é bem assim.
Mas, apesar de todas as vantagens que tem nesse negócio, eu preferiria não ter que passar por isso. Pelo menos não por ora. Afinal de contas, eu estou de saco cheio disso de que ninguém espera nada de mal-comportado da minha parte. Eu não quero me comportar - pelo menos, não quando há essa possibilidade e o castigo pra isso não é grande.
Eu não posso negar que eu sou assim, digamos, Lawful Good - eu não vou tratar ninguém mal, eu não vou cometer nenhum crime e nem fazer tudo errado. Mas isso não quer dizer que eu tenha que perder toda a diversão e que eu não saiba a hora de - e como - me comportar mal. Portanto, concluindo, bonzinho é a puta que pariu.