sábado, 19 de dezembro de 2009

Balanço de final de ano

E o ano acabou, as férias chegaram, as músicas de natal tocando sem parar. E agora, José? Agora é época em que todo mundo fica pensando que ano que vem vai ser tudo diferente, que vai entrar em dieta e/ou começar a fazer alguma coisa que ficou adiando o ano inteiro - e, convenhamos, vai adiar o ano que vem inteiro também.
Esse ano eu não estou com o meu mau-humor tão grande, como no ano passado, por exemplo. Então eu comecei a fazer um levantamento mental de tudo o que aconteceu nesse ano, de bom e de ruim. E, apesar do tanto que eu reclamei o ano inteiro, eu tenho que admitir que, enfim, foi um ano bom, no fim das contas.
Esse ano, por exemplo, eu conheci muita gente interessante, que puderam - e ainda podem - me trazer muita coisa interessante, muitas conversas madrugadas afora e alguns litros de chopp. E, acima de tudo, as amizades antigas vão muito bem, obrigado. Apesar da distância de alguns, ainda posso dizer que tenho os melhores amigos que alguém possa sonhar em ter. Claro que houve pessoas que eu me arrependi de ter conhecido, mas faz parte da vida isso e não foi nada que pôde manchar a história desse ano nesse quesito. Portanto, nesse ponto - que eu considero o mais importante - saldo positivo durante esse ano!
Esse ano, também, eu conheci lugares novos, cidades novas. E, apesar de eu ainda achar que aqui onde estou é melhor do que estes novos lugares, eu ainda guardo um certo carinho por lá. Pelas pessoas que lá estão, por tudo o que aconteceu de bom (o que aconteceu de ruim a gente deixa pra lá) e pela experiência adquirida. XP é XP, não importa como foi ruim pra conseguir.
No quesito, digamos, "profissional", está tudo quase "tinindo". Podia ser melhor, claro, mas não vamos jogar fora tudo o que eu consegui esse ano. Afinal de contas, consegui tudo o que eu tinha me proposto a fazer: passei na prova do mestrado e consegui adiantar o projeto bastante - tanto que até falam de eu defender antes do tempo. Vamos ver, vamos ver. Eu não gosto muito de fazer as coisas no atropelo, então esse é um assunto que precisa ser muito amadurecido ainda. E, claro, esse ano foi o que eu me formei!
Eu, claro, deixei de fazer muitas coisas (ver aqui e aqui) que eu tinha prometido fazer, mas não deu tempo/não tive disposição pra fazer. E foram ficando, ficando... até eu esquecer delas e ficar com a consciência limpa por não ter feito nada disso. Mas posso dizer que a minha mania de ficar adiando as coisas passou, na maioria dos casos. E, por incrível que pareça, eu estou menos vagabundo esse ano.
Concluindo então, apesar de tudo que não aconteceu ou que aconteceu mas não devia, o saldo de 2009 foi positivo, com louvor. Aconteceram muito mais coisas boas que coisas ruins - e mesmo destas, deu pra tirar alguma coisa de bom, nem que seja XP pra subir de nível. Portanto, que venha doismiledez.
Eu estou de sentindo otimista ultimamente, não liguem.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Gentileza gera gentileza

Às vezes eu me assusto com o mundo e quase perco a fé na humanidade pelas menores coisas. Um gesto, uma palavra, um pequeno ato de hostilidade gratuita. Mas o que mais me assusta é a receptividade de gestos bons, amáveis, pelas pessoas: é comum, e muito, se assustar e estranhar quando alguém age com o mínimo de bondade ou de honestidade. E eu, sinceramente, não consigo entender. Ou pelo menos não deveria.
Até eu, admito, que me surpreendo quando vejo gestos bons e gratuitos. Parece que a gente tá acostumado a esperar sempre o pior do outro, a sempre desconfiar e contar com o golpe pelas costas que quando alguém não age assim é estranho e causa até um certo desconforto. Porque, afinal de contas, atos inesperados sempre geram estranheza - por melhores que sejam.
Estes dias foi que eu entendi o que falta: gentileza. Uma palavra tão simples que, entretanto, engloba tudo o que a gente mais precisa - educação, delicadeza, cortesia. E, como disse o profeta, gentileza gera gentileza. Às vezes, basta um pequeno gesto gentil pra fazer o outro se sentir bem, por pior que tenha sido tudo até ali. Não só o outro, faz bem pra si mesmo também.
Eu sinto falta, por exemplo, de coisas simples, de gestos que todo mundo deveria fazer e quase nunca faz - geralmente por não se dar a devida importância pra eles. Basta começar dizendo "bom dia", "obrigado" ou "por favor" - bem como a tua mãe deve ter te ensinado. Ceder a vez no trânsito - prática muito pouco comum aqui em Curitiba, por exemplo -, não vai te atrasar quase nada e ajuda o outro. Até sorrir pode mudar o dia de alguém.
Mas claro: não se deve confundir gentileza com servidão, apatia. Se alguém te faz mal, claro que se deve reagir, sempre se deve deixar claro o que foi que te fizeram. Mas sem rancor, sem maldade, sem ser desproporcinal. Não é fraqueza tentar ser gentil com quem não é - e nem sempre é desperdício.
Eu acho que é preciso pouca coisa pra que tudo seja melhor, para que as pessoas sejam mais felizes e possam tratar bem uns aos outros. Gentileza, gente... gentileza!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Música ruim, calor e comida estranha

Um lugar onde eu não me sinto no meu, digamos, habitat natural, é naquela tal de balada. Não dá, eu não fui feito pra aquilo - e às vezes, dependendo do convite, eu ouso dar uma chance praquilo lá mas sempre me arrependo. E sempre me arrependo depois de uns 30 minutos, na melhor das hipóteses.
Eu não entendo o que leva as pessoas pra lá, por mais que eu tente: é um lugar onde sempre toca música ruim - com algumas exceções, que vou vou falar mais pra frente. Se acalme, piá! -, não dá pra andar direito, quente pra caramba - e, quem me conhece sabe o que isso significa pra mim: litros e mais litros de suor - e que, pra mim pelo menos, é cheio de gente que "é meio igual comida estranha: não conheço, mas não gosto, não." [@isaschweigert, 2009] Mas já dá pra dizer que melhorou um pouquinho: por causa da lei anti-fumo, pelo menos eu não saio fedendo cigarro.
Mas o pior da balada pra mim é a impossibilidade de conversar com as pessoas. Cada um fica dançando sozinho - ou não, no meu caso -, de um modo que lembra, de longe, autistas, e se comunicando, de vez em quando, com as pessoas que estão ao seu lado aos gritos e utilizando frases curtas. (Epifania do dia: quase um twitter!!)
Então chegamos no que é o maior mistério dessa tal de balada pra mim: eu não consigo entender como alguém vai pra esses lugares para "conhecer gente nova" se, pra mim - eu sou meio à moda antiga, não liguem - para começar a conhecer alguém eu preciso de, sei lá, pelo menos uma meia hora de conversa.
Por essas coisas que eu sou deveras a favor de barzinhos: um lugar onde as pessoas estão sentadas em volta de uma mesa, sem aglomeração, com uma música ambiente - que, em geral, é de bom gosto - que não é alta a ponto de fazer as pessoas se comunicarem aos berros e tudo isso regado a uma bebida de qualidade. E, claro, uma boa companhia.
Mas claro: há exceções. Lugares que eu acho que são considerados baladas que eu até gosto de ir, porque conseguem manter um bom nível musical e não são tão lotados. Bons exemplos, daqui de Curitiba, são o Crossroads e o Empório São Francisco. Mas também é muito de vez em quando, não esperem que eu vire frequentador assíduo desses lugares.
Concluindo, então, nunca me chame para uma balada ou coisa que o valha. A palavra em si já me irrita - tive que parar de escrever para ir vomitar umas três vezes, por causa do número de vezes que escrevi essa maldita palavra. A minha resposta vai ser sempre variações entre "acho que não vai dar" e "nem fodendo", de acordo com a intimidade que eu tiver com o ser. A não ser que o convite venha em um dos raros dias que eu esteja otimista o suficiente para pensar que "ah, não vai tar tão ruim" - mas esse otimismo dura no máximo 30 minutos, quando eu vou começar a pensar nos livros que podia tar lendo, na música que eu poderia estar escutando ou com quem eu estaria falando se não estivesse ali, naquela porcaria de lugar.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Paradoxos

As mulheres muito decididas que me perdoem, mas um pouco de doce é fundamental. É preciso ser mais caça que caçadora, sem nunca deixar de ter aquele olhar que só vocês sabem fazer - provocante com vergonha, envergonhado com um tanto de malícia. É preciso aquele jeito de mexer nos cabelos que é um chamado e ao mesmo tempo um aviso.
É preciso ter um riso permeado de tristeza, como um olhar perdido no horizonte, a espera de algo que ela sabe que não vai chegar. Também se deve mostrar frágil sem deixar de ser guerreira, que nos dê uma vontade de cuidar, de proteger de todo o mal que existe lá fora - mesmo sabendo que, no fundo, vocês são mais fortes que a gente.
Imprescindível também é aquele mistério todo, aquele pensamento que é impossível seguir, aquela aparente falta de sentido em tudo. É necessário também saber chorar, gritar e soluçar se, por causa dessa nossa insensibilidade, acabamos por não entendê-las. E não se pode negar o efeito devastador que aquela lágrima solitária a rolar pelo rosto tem sobre nós.
Básico também é que vocês se encontrem sempre além de nossas esperanças, por mais que já as tenhamos conquistadas. Que sempre nos ponha em dúvida sobre os teus sentimentos, que nunca nos dê a certeza que nos deixe desleixados. É preciso que sempre tenhamos a impressão de que, num piscar de olhos, vocês não estarão mais do nosso lado.
É gritante a necessidade de um quê de timidez, um restinho de um aparente medo do mundo que só torne ainda maior a impressão de que são etéreas, de que estão muito longe para serem tocadas.
Que tenha uma um pouco de molecagem sem deixar de ser feminina, um pouco de força com fragilidade, um bom tanto de tristeza sem deixar de ter alegria.
Mas mais essencial ainda é ter algum defeito - que não seja grave! -, que, sem ele, não seria tão perfeita assim. Uma cicatriz no joelho, uma pequena imperfeição no rosto - só visível muito de perto! - ou uma mania estranha. E sardas! Ah... um pouco de sardas só existem para deixá-las ainda mais perfeitas.

É preciso que tudo isso exista junto, que seja sem ser e que não se tente entender. Porque por maior paradoxo que sejam, também o é o que vocês nos fazem.
"...é um contentamento descontente..."