sábado, 10 de outubro de 2009

Análise de Alma I: Preguiça

Qualquer tipo de análise de alma, em qualquer situação, é um erro. Primeiro porque você acaba descobrindo o que fez de errado este tempo todo e, segundo, que não há o que fazer pra consertar isso: você é assim mesmo e vai ser sempre assim. E terceiro, porque você pode descobrir coisas sobre você mesmo que era melhor não saber.
Como ficou entendido no post anterior, eu cometi esse erro há pouco tempo. Era de madrugada, claro. Claro que tinha sido um dia difícil. Também é claro que estava tocando alguma música condizente com a minha situação no momento. E, óbvio, eu estava ligeiramente bêbado. Ou seja, existiam todas as condições necessárias para um surto de análise de alma, mas mesmo assim foi um erro. Mas eu descobri algumas coisas interessantes sobre mim mesmo. Interessantes do tipo "podemos discutir durante dias sobre isso" e não interessantes "que legal!".
Uma das primeiras coisas que eu descobri - e que, depois de um tempo, em uma conversa com a Aninha, consegui dar um nome a isso - é que eu tenho uma preguiça absurda para relacionamentos. É, preguiça mesmo, não há outro nome pra isso. E isto ataca principalmente quando existe a possibilidade de começar um relacionamento (ou, às vezes, ter um relacionamento que dure apenas por poucas horas) com alguém que eu sei que não é o tipo de pessoa que combina comigo. Não sei se isso acontece com outras pessoas além de mim, mas assim que eu bato os olhos em uma mulher eu sei se a personalidade dela bate ou não com a minha: não sei explicar por que, só sei que é assim. [Chicó, 1998]
E quando isso acontece, quando eu - sabe-se lá como, em uma análise que dura, em média, 3,12 segundos - descubro que a personalidade da guria não combina nem um pouco com a minha, eu sou vítima de uma preguiça absurda para tomar qualquer iniciativa para conhecer, biblicamente falando, a pessoa. Isso porque, de certa forma, eu tenho o defeito de não conseguir começar um relacionamento sem pensar no futuro - seja o dia seguinte ou o dia em que vamos morrer os dois juntos, velhinhos (ergh! quanta melação!). E quando eu vejo que não tem futuro, eu sequer tento. Vou tentar explicar.
Quando eu vejo que as personalidades não combinam, eu já começo a pensar em como vai ser chato quando, por um acaso, ela me convidar para alguma coisa que ela gosta de fazer e eu não suporto. Também penso em como a gente vai brigar por causa disso e, por fim, como vai ter um fim trágico e doloroso para os dois lados. É, minha imaginação é sempre muito dramática: eu sempre imagino brigas homéricas, com vasos voando pela casa e gritos acordando todos as pessoas em um raio de 2km.
Ou então, quando o caso é mais grave(?) e a minha vontade é que o affair não dure mais que algumas horas - e que eu já sei isso de antemão - a preguiça é maior ainda. Porque então eu tenho preguiça do dia seguinte, de ter que arranjar desculpas para não aceitar futuros convites que eu não vou estar afim. Ou então preguiça daquela história de não saber se fala ou não com a guria, se cumprimenta com um beijo na bochecha ou na boca. Essas coisas desnecessárias que só complicam as coisas. Me dá preguiça!
Mas é claro que há exceções e, às vezes, a carência ou a vontade ganham da preguiça e eu me aventuro em algum relacionamento previamente falido. Mas me arrependo logo em seguida e tenho crise de consciência. Mas, normalmente, se eu venço a minha preguiça e tento qualquer coisa com alguma guria, é porque, lá no fundo, eu sei que vale a pena e que, de certa forma, nossas personalidades combinam.
O grande problema é que, graças à minha preguiça, eu tenho fama de lerdo e desligado. Não que eu não seja essas duas coisas.

4 comentários:

  1. Dois preguiçosos então, né?

    Mas concordo com você, essa coisa de não saber o que fazer, como cumprimentar, se ligar.... que porre. Também tenho fama de lerda por esse tipo de coisa. Não que eu tbem não seja, mas vc entende. As vezes é só preguiça.

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  2. Não colou: continuo achando você lerdo e desligado.

    Tá, mentira, entendi. Passei pela fase de não querer mais relacionamentos de duas horas também - tanto que eu nem tchum quando me falaram que Jojô tava de olho. Mas daí conheci, gostei e a preguiça sumiu. E veja você: no dia seguinte, ele já me cumprimentou com beijo na boca. Quando a personalidade bate, você não precisa se esforçar pra conhecer *biblicamente*: a conversa vem, bem fácil, e não é preciso combater a preguiça - porque ela não estará presente. Continue a nadar: logo você vai achar sua futura velhinha (eeeew).

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  3. Nao conhecia o blog.. Mas ta muiiiito bom :P
    Passei uma boa meia hora a rir me de varios posts que fui encontrando. É bom encontrar este tipo de coisa, fiquei a conhecer uma parte do vosso povo/país que me era desconhecida

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  4. eu tb tenho preguiça/
    Pq não consigo deixar de pensar: vou acreditar q posso envelhecer com a pessoa qdo olhar p/ ela...
    se a resposta é não, desisto. Mas não é lerdeza, acho, é só resistência ao amor líquido.

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