Pra começar o assunto, da Wikipedia: "O Teatro Mágico é um grupo musical brasileiro formado em 2003 na cidade de Osasco, São Paulo. O TM é um projeto que reúne elementos do circo, do teatro, da poesia, da música, da literatura e do cancioneiro popular tornando possível a junção de diferentes segmentos artísticos num mesmo espetáculo."
Ok, eu gosto d'O Teatro Mágico, das músicas deles. O show, então, é ótimo... até que o Fernando Anitelli resolvia abrir a boca e falar contra a "mídia", o mainstream, que seja. Eu lembro que o primeiro show que eu fui, o vocalista da banda incitou a platéia a xingar a resvista Veja, que tinha feito uma crítica sobre a banda (ou trupe, como ele gosta de chamar), que eles não gostaram. Quando o púplico rompeu em berros de "Ei, Veja! Vai tomar no cu!", eu, chocado - e meio enojado, até - vi a satisfação por trás da maquiagem de palhaço do Anitelli: ele tinha cumprido o que queria, bater no peito e dizer que não precisa da "mídia", da grande imprensa.
Eis que a banda lança o segundo CD, Segundo Ato. E, nele, existe uma música chamada Xanéu N 5 - que eu sempre pulo quando escuto o CD, aliás - em que este discurso contra a mídia, mainstream, whatever mira a televisão. Tem até um trecho da música em que uma pessoa qualquer fala, com barulhos de fundo, como se ele estivessa dando uma entrevista no meio da rua: "Pô tô cansado de toda essa merda que eles mostram na televisão todo dia mano, não aguento mais, é foda!" (sic). Justamente quando O Teatro Mágico começa a aparecer com mais frequência na TV.
Mas não era sobre O Teatro Mágico que eu queria escrever - embora a inspiração tenha vindo desta música. Era sobre TV mesmo. Ou melhor, sobre as pessoas que reclamam dos programas de televisão mas não a desligam. Aquelas pessoas que falam mal de tudo o que passa na televisão mas assistem, vidradas, por horas a fio todos os dias.
Eu não sou o maior fã de televisão, não. Costumo dizer que TV, na minha casa, só serve pra ligar o videogame ou o DVD. De vez em quando, pra ver esportes ou algum programa muito bom. Mas também não tenho problema algum em ligar a TV de vez em quando pra relaxar, pra desligar um pouco o cérebro e me divertir sem usar ele. Porque, na minha opinião, é pra isso que a TV serve: diversão. Se você quer aumentar a sua cultura, vai ler um livro, por exemplo. Deixa a TV pra quando você não quiser pensar.
Eu não nego que a qualidade dos programas da televisão brasileira está sofrível. Claro que sim: basta assistir 5 minutos de Zorra Total ou qualquer programa de domingo à tarde. Mas isso só reflete a "qualidade" cultural do povo brasileiro. Estes programas só existem porque tem quem assista, porque tem quem goste deles. Se todo mundo desligasse a tv durante estes programas, ninguém iria anunciar neles e o programa acabaria. Só não acaba, porque tem gente - e muita - que gosta.
Portanto, a TV brasileira só vai melhorar quando o povo quiser coisas melhores, quando o humor apelativo Zorra Total não fizer mais sucesso. Não vai adiantar em nada tentar impor programas melhores na TV, tentando melhorar o telespectador. Aí, sim, ele desliga a TV e vai fazer qualquer outra coisa. O que se poderia fazer era o contrário: melhorar o telespectador para, então, melhorar a TV - embora eu não ache que seja uma boa. Como eu já disse, TV é diversão. Quer cultura, leia um livro, por exemplo.
Mas o pior de tudo, pra mim, é quem critica a TV só pra parecer intelectual, culto ou seja lá o que for. Parece que está na moda jogar pedras no que essas pessoas chamam de "mídia" ou "grande mídia": e, nesses casos, sempre sobra pra Globo e (fugindo um pouco do assunto) pra Veja - como no caso citado lá na introdução. Parece que, pra você ser aceito como pessoa culta, tem que desprezar tudo o que tem uma grande influência, tudo o que chega a um grande número de pessoas.
E é muito fácil falar da TV na frente dos outros e, em casa, assistir tudo aquilo que diz desprezar. Ou, como no caso d'O Teatro Mágico, xingar a TV enquanto aparece nela pra ganhar dinheiro.









3 comentários:
Raquel diz:
"yesterday, i watched luciana gimenes and it was extremelly fun"
Raquel diz:
"i dont think im getting more stupid because of watching tv shows. i get my culture from other soucers. tv is for fun."
Estava com o comentário pronto, já. Ah, aquela coisa de sempre: a Globo e a Veja são coisa do demo, blablablá, fala com a minha mão.
Quanto a Veja, ela tem uma posição política declarada, posição essa que eu abobino, o que deve ser o mesmo caso do cara do Teatro Mágico. A Globo não é muito diferente.
Não concordo com a idéia de que é culpa do telecspectador, mas isso é uma questão estrutural e em certa medida o teu ponto de vista não esta errado.
Pois é voltei! HEHEHE... Só pra te perseguir.
=P
Alias, tu lembra de mim? Eu fui pra Curitiba uma vez com o Parachen. Bom, abraço.
Não sou adepto desse lance de que a TV é puramente o reflexo da audiência. Claro que a massa não vai querer, de uma hora pra outra, trocar a Zorra por uma exibição de um concerto de Tchaikovsky no sábado a noite, por exemplo.
Mas isso pode ser trabalhado. Ainda mais em um país de cultura bastante televisiva, com grandes experiências nesse sentido (Futura, Telecurso e toda programação do início de sábado e domingo, na Globo).
Se tem uma coisa que a TV brasileira sabe fazer é programa lúdico e de boa qualidade técnica. Só precisa aprender a não cortar conteúdo e fazer algo legal, mas não acéfalo. E é aí que o problema mora.
Bota alguém pra explicar como uma orquestra funciona; pra tocar chorinho ou MPB ao invés de erudita; joga a Patrícia Poeta, o Zeca Camargo ou qualquer outro apresentador desses "descolados" pra ancorar que a galera vai atrás.
Só que pra isso é preciso arriscar tempo de produção, horário de exibição, custos de tempo de comerciais... Grana, enfim. E nisso pouca gente tem coragem de mexer.
Enfim... Mais um comentário gigante. hahaha
Postar um comentário