terça-feira, 16 de junho de 2009

Brasil Imperial - Por que não?

Eu costumo dizer, em algumas ocasiões, que, se tudo acontecesse como eu quero, se tudo fosse como no mundo perfeito da minha imaginação, tudo estaria bem melhor e com bem pouco esforço de cada um. Um desses casos, o mais simples até, me ocorre sempre que eu almoço em algum shopping ou coisa que o valha: eu sempre levo a bandeja que eu usei pro lixo, apesar de quase todas as pessoas que estão comigo falarem que isso tira o emprego da mulher que pega as bandejas da mesa e leva pro lixo, etc e tal.
Mas, no meu mundo perfeito, tudo isso seguiria uma cadeia de acontecimentos que levaria a uma melhoria na vida de todo mundo: todo mundo deixaria de ser preguiçoso e levaria a bandeja até o lixo, separando muito bem o reciclável do não-reciclável, o que faria que o restaurante/shopping/whatever demitisse a - então - coitada da tia que faz isso. Devido ao fato de ter menos funcionários, o custo do restaurante diminuiria, o que levaria a uma diminuição do preço da comida. E com uma comida mais barata, nós, cabeçudos que não sabemos cozinhar e temos que comer fora todos os dias para sustentar as nossas silhuetas em forma - redondo é uma forma, ok? - iríamos economizar uma boa grana que, pessoas consumistas e a favor do sistema que somos, gastaríamos para comprar, por exemplo, um Iphone ou um videogame qualquer.
E é aí que entra a grande reviravolta do meu mundo perfeito! Lembram-se da coitada da Tia que limpava as bandejas e ficou sem emprego? Pois então, agora está lá, com um emprego melhor ainda devido a movimentação da economia causada por este simples ato de deixar de ser vagabundo e porco e levar a sua bandejinha e separar o lixo como uma pessoa civilizada com polegar opositor e encéfalo desenvolvido qualquer. Tudo isso funciona muito bem no meu mundo imaginário e só não funciona direito no mundo real por que as pessoas tem preguiça de carregar um pedaço de plástico por uns 20 metros até a lixeira. Mas tudo bem, nem sempre se pode ter tudo.

Mas por que eu estou falando sobre isso? Então, dei uma volta enorme dessas só pra falar de um assunto que me foi devolvido ao meu Mundo Perfeito por causa daquela tragédia do vôo 447 da Air France. Você sabe, todo mundo sabe o que aconteceu: o avião estava lá, viajando para a França todo lindo, serelepe e lotado quando uma nuvem malvada soltou um raio em cima dele, ou o controlador de velocidade feio parou de funcionar e ele foi ao chão. Ou melhor, ao mar. Coisa triste. Morreu muita gente razoavelmente importante: donos de empresas, executivos de alto escalão de multinacionais, etc. Mas um dos mortos foi dos que mais chamaram a atenção: o Príncipe do Brasil, Pedro Luís de Orleans, quarto da suposta linha sucessória do Império do Brasil. E, esses dias, quando minha irmã me perguntou sobre esta suposta linha de sucessão, foi que o assunto da Família Imperial do Brasil voltou à minha cabeça e eu resolvi que deveria escrever sobre isso.
Vamos lá: no meu Mundo Perfeito o Brasil seria uma Monarquia Parlamentarista. Eu sei que a ideia soa meio absurda nos dias de hoje, já que a República foi proclamada há 120 anos e a maioria dos países do mundo não tem mais reis, rainhas, príncipes e coisa e tal. Mas não faz muito tempo, em 1993, o Brasil teve a chance de voltar a ser um Império, como foi até 1889. Eu lembro vagamente - era uma pequena criança com 7 anos na época - de ter ido com o meu pai até a urna, para escolher entre Monarquia ou República e Presidencialismo ou Parlamentarismo. A Monarquia teve mais de 6 milhões de votos (cerca de 7% do total) e o Parlamentarismo, uns 16,5 milhões (18%, mais ou menos). Ah, se tudo fosse como o meu Mundo Perfeito.

Mas por quê, fio?
Eu definitivamente preciso de mais objetividade aqui no blog. Dei uma volta enorme e ainda não cheguei ao ponto que queria. Mas vamos a ele. Em partes, como preferia o nosso amigo Jack:
Por que Parlamentarismo? É simples. Todos os países desenvolvidos - exceção feita aos EUA - são parlamentaristas. E o são porque é a melhor opção, desde que se tenha um parlamento sério e instituições decentes, o que, infelizmente, não é exatamente o nosso caso. Parlamentarismo é um sistema de governo mais ágil, mais dinâmico. Apesar de não se votar diretamente em quem vai mandar no país (o Primeiro-Ministro), o povo escolhe o parlamento e, a maioria deste escolhe o Chefe de Governo. Se o cidadão fizer alguma cagada meio feia, vai pra fita na hora - não precisa de novas eleições - e um novo Primeiro-Ministro é eleito. Se o sujeito faz um bom trabalho, fica lá enquanto for bom nisso, o que pode durar vários anos (por exemplo, Margaret Thatcher ficou 11 anos no poder, na Inglaterra).
Por exemplo, no caso do mensalão - se é que existiria um caso assim num governo parlamentarista - o então Primeiro-Ministro Luís Inácio Lula da Silva iria pra vala na mesma hora, uma vez que a pressão contra o caso seria maior do que de fato foi, no mundo real. Num modelo de governo parlamentarista, o menor dos escândalos de corrupção é capaz de fazer o chefe de governo ser demitido na hora. E assim iria, até que fosse eleito um Premier decente.
E então, por que Monarquia, Gustavo? Porque o Primeiro-Ministro é só o Chefe de Governo, e não o Chefe de Estado. Ele "só" manda na bagaça, mas quem representa o galinheiro é o Presidente ou o Imperador/Rei/Príncipe. E, falando francamente, estamos, atualmente, muito mal representados. Temos um presidente que bate no peito, com orgulho, por não ter estudado ou que vai até a Turquia e confunte turcos com libaneses e diz que, no Brasil, turco tem fama de pão-duro - só pra citar dois exemplos. E, com uma monarquia parlamentarista, em vez de um cerumano como o nosso Apedeuta, teríamos alguém que foi educado e treinado a vida inteira para representar o país! E olha só que sorte a nossa: já temos até uma Família Imperial, que, desde a Proclamação da República segue as suas tradições para, um dia, se for preciso, voltar a reinar.
E agora você, pequeno gafanhoto, diria "mas seu cabeção, o Brasil teria que custear todos os gastos de uma família imperial! Seria muito dinheiro pra sustentar essa gente!" e eu respondo: sim, pequeno cabeçudinho. O Brasil até teria que sustentar a família imperial - que até hoje viveu muito bem sem precisar da gente. Mas o país já tem que sustentar toda a família do Presidente, com todos os seus gastos e cartões corporativos na nossa conta. Acabaria ficando na mesma. E, além do mais, o custo da família imperial era cerca de metade do salário do primeiro presidente da república - que só fez subir desde então.
E então, em vez do Príncipe Apedeutkoba de Banânia, teríamos o Imperador D. Luís Gastão de Orléans e Bragança do Brasil.

(Para saber mais sobre isso - já que tudo o que eu fiz foi expor a minha humilde opinião sobre o assunto -, basta procurar na Wikipedia mesmo sobre o período da monarquia no Brasil e sobre a Família Imperial Brasileira. Também existem alguns blogs bons sobre o assunto. Recomendo este aqui e principalmente o post de 5 de Fevereiro de 2008)

14 comentários:

  1. Oi, meu nariz não me permite tecer qualquer comentário sobre o assunto. Bjomeliga.

    ResponderExcluir
  2. Ok. Na verdade, nunca tinha pensado nisso. Lembro que eu queria muito que a Monarquia vencesse o plebiscito, só para ter um rei.

    E, enfim, talvez a Família Imperial ainda fosse amiga da Família Descobridora e eu tivesse direito a um grande pedaço de terra.

    Se precisar de ajuda pra descer o pau no Lula, estamos aí. Concordarei eternamente.

    ResponderExcluir
  3. Num mundo ideal, talvez. No nosso, seria difícil um parlamento ágil como os europeus. Até porque, mesmo em se tratando de esquemas, lobbys, falcatruas e tudo mais, o pessoal do Velho Mundo tem muito mais competência do que o nosso - tanto em ocultar quanto em otimizar o lucro.

    E olha que eu gosto desse sistema de separação de Chefes de Estado e Governo.

    A questão é que há muito tempo não se faz política para o país. Apenas para o próprio partido. Se é que alguma vez já foi feito. E é aí que a gente se estrepa.

    No que diz respeito a uma família real, não gosto da idéia pelo simples fato de que monarquia pra mim só é agradável em histórias medievais e/ou fantasiosas, porque só ali tolero os conceitos que dão àqueles sujeitos o "diferencial" para ser o grupo representante e líder do país.

    Porque aquela família e não a sua, a minha, a do Lula ou a do Sarney? - Se bem que, no Maranhão... hehehe

    Não consigo achar critério mais legítimo para determinada pessoa assumir o cargo de Chefe de Estado do que eleição. Seja direta ou indireta - aí é outra discussão.

    Afinal de contas, a gente bem sabe que mulheres distribuindo espadas em lagos não são bases para um sistema de governo. O poder executivo supremo deriva de um mandato das massas, não de alguma estúpida cerimônia aquática ;)


    Enfim... Esse comentário já ficou quase um post, mas é por aí. Bom papo pra boteco.

    ResponderExcluir
  4. O negócio é Democracia de verdade, não essa coisa liberal onde a participação popular se restringe a eleger os seus representantes.

    Quanto a mulher que limpa as bandejas, concordo que essa profissão tem que ser extinta, mas meus métodos e motivos são outros.

    ResponderExcluir
  5. @Khristofferson
    É bem o que eu falei: no meu mundo ideal, a coisa iria funcionar assim. Eu falei em alguma parte do texto (mas acho que falei meio rápido demais, pro texto não ficar muito grande) isso de que, no Brasil, falta a seriedade no parlamento que se precisa pra um sistema de governo desses. Mas enfim, me deixa sonhar.
    Quanto a parte da Monarquia, eu gosto da ideia mais pelo que eu falei mesmo: pra ter alguém representando o país que foi treinado desde criança pra isso, pra nos livrarmos de um Lula da vida falando bobagem no exterior. Porque, se depender do nosso povo, vai ter vários Lulas ainda pela frente.

    @Balão
    "O negócio é Democracia de verdade,..." mas uma boa ditadurazinha do ploretariado para dar uma agitada nas coisas também caía bem, né?

    ResponderExcluir
  6. Não sem o que tu entende por ditadura do proletariado, mas soa um tanto hipocrita de alguém que esta defendendo a monarquia.

    ResponderExcluir
  7. @Balão
    Agora você apelou e falou bobagem. Você, estudante de história, cometer um erro desses? Confundir uma Monarquia Parlamentarista, com democracia e todos os direitos e liberdades individuais, com uma ditadura, um regime de exceção, sem o mínimo de liberdade de expressão?
    Quando me referi a ditadura do proletariado, me referi a o que teve na URSS, na China...

    ResponderExcluir
  8. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  9. Em primeiro lugar, foi você que colocou termos nos quais eu não havia tratado, assim fui eu mesmo quem apelou?
    Entendo por Democracia a participação da população nos rumos da nação e não esta Democracia Liberal implantada, onde a única participação esta no voto direto.
    Mesmo assim, se partirmos da estrutura já vigente no Brasil, que é o presidencialismo, onde o presidente é eleito por voto direto. Me posiciono contra a mudança deste regime, para qualquer ditadura ou regime político que se concentre poder em uma ou mais pessoas, sem que estas devam a seus representantes respostas. Colocar na mão de um monarca poderes fere esse princípio, mesmo que este sujeito fosse treinado para ser rei, ele não passa pela aprovação popular e isso vale também para o primeiro-ministro eleito pelo voto indireto, já que este deve a quem o elegeu, o parlamento e não ao povo.
    Não confundo os diferentes regimes que você exemplificou, apenas vejo uma mesma essência, a concentração de poder.
    Questiono também o que você coloca por liberdade de expressão, pois qualquer seja o formato de governo que tenha a concentração de poder, não terá liberdade de expressão. Pegue o exemplo de o que esta acontecendo na USP. Olha que este é um exemplo pequeno se colocado em confronto ao espaço na mídia para pequenas organizações e movimentos sociais.

    Sobre URSS e China, não tenho estudo para falar sobre estas formas de governo e para mim não importa tanto ter opinião sobre isso. O muro de Berlim já caiu e não existe mais a divisão URSS x EUA no mundo, além do que nossa realidade na América Latina e no Brasil é totalmente diferenciada da que existiu nestes países.

    Espero que tenha entendido o por que te chamei de hipócrita.

    Toda essa picuinha, sendo que um dia você disse que entendia a posição de esquerda! Mas vai lá, continue a desprezar as idéias de outras pessoas....

    P.S.: deletei o comentário passado por q estava faltando uma frase no meio do texto.

    ResponderExcluir
  10. *preguiça de ler tudo isso*

    sou uma ótima estudante de letras.

    ResponderExcluir
  11. "Em primeiro lugar, foi você que colocou termos nos quais eu não havia tratado, assim fui eu mesmo quem apelou?"
    Apenas comentei o quão distante foi o teu comentário da ideologia que você tanto tenta pregar aqui nesse blog.

    "Colocar na mão de um monarca poderes fere esse princípio, mesmo que este sujeito fosse treinado para ser rei, ele não passa pela aprovação popular e isso vale também para o primeiro-ministro eleito pelo voto indireto, já que este deve a quem o elegeu, o parlamento e não ao povo."
    O Monarca seria apenas o REPRESENTANTE do país. Seria o chefe de estado, não de governo. Na prática, teria nenhum ou poucos poderes. Então não há a concentração de poder nas mãos de um monarca.

    "Entendo por Democracia a participação da população nos rumos da nação e não esta Democracia Liberal implantada, onde a única participação esta no voto direto." "Questiono também o que você coloca por liberdade de expressão, pois qualquer seja o formato de governo que tenha a concentração de poder, não terá liberdade de expressão."
    Então você diz que, para ficar em apenas alguns exemplos, Itália, Alemanha, Portugal, Espanha e Inglaterra (cujo sistema, aliás, é igual ao que eu defendi no post) não são democracias e não têm liberdade de expressão? Isso diz muito sobre o quão estreita é a sua visão de democracia.

    Me recuso a comentar sobre o que está acontecendo na USP, onde um bando de FASCISTAS de esquerda usam da ameaça física, força bruta e destruição de patrimônio público para tentar impor as suas opiniões. Esta greve, aliás, tem como objetivo principal devolver ao emprego a um CRIMINOSO. Greve esta, aliás, que grande parte dos alunos, professores e funcionários da própria USP são contra. Aliás, até grande parte da dita "esquerda" do país é contra ela.

    Não entendi o porquê (junto e com acento, ok?) e não aceitei você ter me chamado de hipócrita. Eu defendi que seria IDEAL uma monarquia parlamentarista, nos moldes de Inglaterra e Espanha - países que são muito mais democráticos e com liberdades individuais muito maiores do que as democracias da América Latina.

    "Toda essa picuinha, sendo que um dia você disse que entendia a posição de esquerda! Mas vai lá, continue a desprezar as idéias de outras pessoas...."
    Quando você vai entender que "entender" é diferente de "concordar"? Eu entendo, mas acho errado.
    Outra: não fui eu quem disse "abobinar" a posição política de uma revista aí.

    Sou eu quem está sendo hipócrita?

    ResponderExcluir
  12. Seguinte, não coloco tudo no mesmo "balaio" como vc parece ter entendido. Mas como você estava propondo uma mudança, mesmo que hipotética, resolvi fazer o mesmo. Os exemplos que você colocou (Itália, Alemanha, Portugal, Espanha e Inglaterra) eu as vejo como uma democracia liberal, na qual você elege seus representantes pelo voto. Não as entendo por democracia participativa, no meu entender uma democracia real, onde existe participação da população.

    Uma mudança para monarquia é retrocesso nesse sentido, não vejo melhorias, mesmo que o poder do monarca seja restrito, já que ele é apenas o chefe de estado, é dar poder a uma pessoa que nada tem haver com os problemas da nação e de seu povo.

    Sobre a liberdade de expressão, apenas questionei, pois mesmo em uma democracia, nos moldes que temos hoje, ela é restrita e existe censura, não como acontecia na ditadura, mas ela existe, por interesses do grupo que esta no poder, seja este de direita ou esquerda.

    Realmente abobino a Veja, por ela defender interesses de uma elite, é uma revista criada na ditadura, que sobreviveu por defender os interesses do governo e divulgar seus feitos como bons.

    Ainda acho que você não entende, pois distorce o que eu falo. Comecei a comentar no seu blog, pois segundo o Parachen voc~e teria interesse de receber uma opinião diferente da sua, mas essa discussão não me parece muito saúdavel.

    Vou te mandar a tese para o movimento estudantil que eu ajudei a escrever, junto com o pessoal do DCE aqui da UFSC (que ainda não esta finalizada, então se quiser opiniar será ótimo).

    Só pra esclarecer uma ultima coisa, não é uma questão pessoal e nunca vai ser. Acho interessante a idéia do blog, até fiquei com vontade de fazer um.

    Abraço

    ResponderExcluir
  13. aiai. zzzzzzzzzz


    gu, não adianta, eu não vou levar minha bandeja no shopping!

    ResponderExcluir
  14. Gustavo, gostei do arquivo e da abordagem. Um bom escritor nasce assim.
    Quanto à Monarquia, não é correto afirmar que o tema não é atual. O meu blog, que você cita, tem tido muitas visitas, direcionadas especialmente pelo google. Ou seja, muita gente está interessada no assunto. Mais um dado, as melhores economias do mundo são monarquias. Países onde o IDH é mais alto são monarquias. Dá para tirar alguma conclusão daí?
    Na monarquia proposta por Dom Luiz o Imperador teria o Poder Moderador, que evitaria os excessos do Executivo e do Legislativo.
    Por que Dom Luiz de Orleans e Bragança deveria ser o Imperador e não outro? Por uma questão de sucessão histórica. O regime monárquico é um regime familiar e tem uma sucessão que vem de longe. Respeitar esta caracteristica torna a sucessão legítima. Veja mais no blog www.monarquia-ja.blogspot.com

    ResponderExcluir