quinta-feira, 14 de maio de 2009

América Latina: Mochila e Culpa

Esses dias, conversando com a Raquel, ela - devido a fatores que não me cabe aqui falar - tocou no assunto de mochileiros da América Latina. Tenho que admitir que eu não entendi de imediato o que ela queria falar com isso e falei que achava legal sair por aí viajando, conhecer lugares legais e que a América Latina tem muitos lugares muito interessantes, bonitos e que eu queria conhecer. Na verdade, eu disse, que o que eu queria fazer era mais ou menos como um tio meu fez: comprou um motorhome e foi até o sul do Chile, passando por várias cidades do sul do Brasil, da Argentina e do próprio Chile. Mas que eu queria ir além disso, conhecer vários outros lugares mais ao norte e, lógico, queria um motorhome mais equipado tecnologicamente (e nerdicamente) falando: precisaria de, pelo menos, vários gadgets e - o mais importante - acesso à internet. 
Mas então ela me explicou exatamente que estava falando era daqueles mochileiros à Che Guevara, diários da motocicleta e coisa e tal. Aquela coisa de viajar de pau-de-arara (ou os seus análogos latinos), dormir ao relento, usar roupas de tocador de flauta peruano e tirar fotos de criancinhas pobres bolivianas, monumentos de homenagem ao Che e tudo o que demonstre uma pobreza - tanto econômica quanto idológica. Tudo isso pra depois colocar as fotos no orkut e mostrar pra galera, como se em vez de um país, tivesse visitado um zoológico.
E tive que concordar que isto não era algo que eu queria para a minha vida, que achava errado e, pra mim, parecia uma certa exploração da miséria alheia. E tão útil - e bem menos bonito - quanto os protestos do PETA, em que mulheres tiram a roupa contra os maus-tratos aos animais. E quando eu digo útil, é no sentido de uma falta de propósito, de desnecessariedade (acho que acabei de criar um neologismo) do ato em si - no exemplo, os protestos do PETA, ninguém presta atenção no que elas estão querendo dizer.
Mas volto ao assunto: não estou aqui dizendo que sou insensível à pobreza que existe na América Latina (e no mundo todo) e que deveríamos escondê-la, evitá-la ou ignorá-la; acho que é importante que a gente saiba que isto existe e a sua extensão, para justamente tentar fazer com que deixe de existir - ou, pelo menos, minimizá-la ao máximo. Mas mesmo assim - e talvez por isso mesmo - eu sou contra esta exposição sem sentido que este tipo de mochileiro (e, neste caso, também incluo aqui aqueles fotógrafos que viajam o mundo inteiro tirando fotos de pessoas pobres) faz desta pobreza, da miséria e da dificuldade que esta gente passa. Parecem estar sempre a tentar nos passar que aquilo que estão vendo é tudo culpa do capitalismo-selvagem e da sociedade judaico-cristã-ocidental-branca-de-olhos-azuis.
E não é! Neste ponto, concordo com o Reinaldo Azevedo, que sempre diz que a culpa da miséria de certos lugares não é do capitalismo, como insistem em dizer, e sim da falta de capitalismo. Estes lugares estão assim devido justamente ao fato que o capitalismo não chegou lá em sua plenitude. E grande parte da culpa disso é dos heróis desses mesmos mochileiros: Che Guevara, Fidel, Chavez, Morales, Lula e tantos outros. E tudo porque esta gente precisa de um povo na miséria e que os que não estão nela se sintam culpados. Isso explica porque este tipo de esquerda só existe em países pobres.
Mas eu me recuso a me sentir culpado pela miséria desta gente. Não é porque eu - devido a inúmeros fatores, seja porque os meus pais (e os pais deles, e por aí vai...) trabalharam e ganharam dinheiro suficiente para poder me dar boas condições, seja porque eu me virei e consegui ter uma vida melhor - tenho melhores condições que eles, quer dizer que eu tirei o dinheiro ou a oportunidade deles. Me recuso a me sentir culpado, mas não quero que isto continue assim: quero que eles tenham as mesmas oportunidades que eu, sem nenhuma compensação descabida para qualquer um dos lados - como cotas ou coisa que o valha.
E também me recuso a aceitar que estas pessoas que são o verdadeiro povo latino americado, que são eles que carregam a verdadeira cultura e imagem da América Latina. Não são! Não posso concordar que o povo-símbolo do lugar que eu vivo seja miserável, sem oportunidades e sem condições de melhorar de situação. Eu quero que a imagem do Brasil, da América Latina, do mundo, seja a de um povo que dá certo, de pessoas que conseguem ir para frente, fazer o melhor. Quero que a nossa imagem seja o que de melhor existe aqui: nossas praias, florestas, rios, montanhas e belezas que não existem em nenhum outro lugar do mundo. Nossas cidades, São Paulo, Curitiba, Buenos Aires, Brasília, Santiago, e muitas outras, com suas singulariedades, imperfeições e, claro,  o que elas têm de melhor. De nossa cultura: grandes civilizações existiram por estas bandas da América Latina e, no Brasil, a cultura de várias raças, credos e origens que se misturou como em nenhum outro lugar do mundo.
Como em qualquer lugar do mundo, aqui tem coisas boas e ruins. Mas enquanto os outros tentam valorizar as boas, por aqui parece que o que vale mesmo é o que a gente tem de pior, de mais miserável. Parece que, por aqui, quem conseguiu dar certo, quem conseguiu uma boa condição de vida tem que pedir desculpas por isso. 
Este canto do mundo é o único que parece se orgulhar dos seus erros e não dos seus acertos.

11 comentários:

  1. Mais do que agradecer sua perspicácia e pertinência em não citar os fatores que incitaram o surgimento do assunto "mochilando no América do Sul", preciso destacar a estrutura "entre travessões" que você, brilhantemente, utilizou para tecer tal observação. Essa gentileza textual deveras supimpa, colocada tão pertinho do meu nome, indubtavelmente, tornou meu dia mais feliz.

    Agora, sobre o conteúdo do post: concordo, em absoluto. Não preciso falar nada: uma imagem (daquelas de ontem, por exemplo) vale mais que mil palavras... hahah

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  2. entao... a nao ser que vc queira ficar horas e horas discutindo, reze pra q nenhum estudante de Humanas leia isso.. huhuhuhuh
    nao concordo em absoluto, mas nao discordo completamente... mããããããs, sao coisas q devem ser conversadas pessoalmente, mesmo pq, nao pode se dar um soco na cara pelo pc, hUAHuahuHAUHuahUHAh
    lol

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  3. ei, eu sou uma estudante de humanas e só fiz elogiar. hahah

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  4. tu eh uma pessoa formada em Ciências da Saúde... eh de humanas pra se divertir, huhuhuhuh... logo, nao conta =P

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  5. Pow, viajar é tao divertido, eu nao perderia meu tempo tirando fotos de criancinhas ranhentas e pobrezinhas... muito pelo contrario, tiraria fotos dos lugares mais lindos que eu visse. Ou de bichinhos. Essa parte eu concordo com vc... O resto, bom, as vezes é melhor guardar como uma reflexao sobre pontos de vista. Sempre bom parar para pensar.

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  6. Para começar sou amigo do Parachen e ele me mostrou o texto e pediu para mim comentar. Não sei se vou dar conta de tudo, mas vou comentar o possível.
    Primeiro, a questão do mochilão eu acho bastante interessante, entendo que você queira viajar com certo conforto e não o condeno por isso, porém o fato de existirem mochileiros é pela experiência e o aprendizado que pode-se ter vivenciando diversas culturas na pele. Isso, sem comprá-la em uma loja ou vivenciá-la num lugar virtual como hotel ou restaurante. Porém, apesar de pensar assim, concordo que exista certo modismo de se fazer estas viagens pelo simples fato de um dia Che Guevara ter feito o mesmo, mas ainda assim não condeno estas pessoas.
    Segundo, quanto a questão das fotografias da miséria. Concordo que existe um abuso da imagem da pobreza e não vou repetir argumentos que você usou no texto, mas existem trabalhos sérios de fotógrafos que trabalham com a questão da miséria e da fome por um propósito maior. Eles têm um objetivo, o de chamar atenção para estas pessoas que sofrem em inúmeros lugares do mundo, muitos sem comida, lugar para morar, sem as condições mínimas de subsistência. Só para citar um fotografo que faça o que eu estou defendendo, procure por Sebastião Salgado. Se você realmente não é “insensível a pobreza” deveria entender que para se sensibilizar com a pobreza deve-se primeiro conhecê-la.
    Próximo ponto, este bem rápido, Reinaldo Azevedo não é nome para tratar disso tudo. O cara defende o direito de se ter preconceitos, além de inúmeras outras coisas as quais são absurdas.
    Falta de capitalismo na América-Latina, isto é balela. O capitalismo teve sua primeira fase no Mercantilismo, onde o acumulo de riquezas se deva pela troca de mercadorias, ou seja, o comércio. Assim países europeus saíram mundo a fora para buscar mercados consumidores e produtos para vender. Aqui no Brasil, você deve saber disto, portugueses exploraram nossas riquezas e nada investiram em nosso país. Esta exploração foi feita com mão-de-obra escrava em um primeiro momento e depois através de mãos de trabalhadores. Nesse momento o capitalismo não estava instalado no Brasil e em quase lugar nenhum da América Latina, porém eram explorados com o objetivo de acumulo de capital, explorados pelo capitalismo em seu formato mercantil. Eu poderia continuar o resgate histórico, mas acho que não é o objetivo.
    O capitalismo existe na América Latina, ainda com seu papel de países subdesenvolvidos, onde não muda muito para a questão das colônias, pois em geral produz-se aqui a matéria-prima para outros países. A dinâmica continua muito parecida, a riqueza aqui produzida pouco reverte-se para os latino americanos, ela em geral vai para multi-nacionais que levam esta riqueza para investimentos para outros locais.
    Não se trata de quem não esta na miséria deva se sentir culpado pela pobreza, seja ela no local que for, mas apenas como você mesmo sitou, se sensibilize com estas questões e faça alguma coisa para mudar este sistema cruel, onde poucos têm muito e muitos tem pouco. Sabe quantos brasileiros tem acesso ao ensino superior? Um pouco mais de 3%. Você acha isto justo?
    Pra não me alongar muito na questão do capitalismo, te faço uma pergunta, o que você entende por capitalismo em sua plenitude?
    Depois disso, você falou na questão do mérito de sua família te dar melhores condições e as contrapôs as cotas. Porém, se fosse uma questão de mérito (falo aqui do vestibular) todos sairiam de condições iguais e teria o direito a vaga aquele que a conquistasse por seu mérito. Mas como pode alguém que tem condições melhores de estudo e vida competir com outra pessoa que saiu de uma família onde o pai trabalha na fábrica e a mãe é doméstica? Descabido é você dizer “quero que eles tenham as mesmas oportunidades que eu” e achar que passar no vestibular (entre outras coisas) é apenas uma questão de mérito.
    ”Não posso concordar que o povo-símbolo do lugar que eu vivo seja miserável, sem oportunidades e sem condições de melhorar de situação. Eu quero que a imagem do Brasil, da América Latina, do mundo, seja a de um povo que dá certo, de pessoas que conseguem ir para frente, fazer o melhor. Quero que a nossa imagem seja o que de melhor existe aqui: nossas praias, florestas, rios, montanhas e belezas que não existem em nenhum outro lugar do mundo.” Quanto a este parágrafo, pois se você quer que não seja assim, faça alguma coisa para isso mudar e não tente camuflar com modelos de sociedade. A pobreza aqui existe e pode ser que no Brasil o nativo não seja a maioria (pois a maioria morreu), mas em muitos países, como a Bolívia, este povo é grande maioria e são eles que compõem a grande parte dos trabalhadores. Este teu discurso de querer que o país tenha a imagem de um povo que dá certo, é o mesmo discurso da Ditadura, pense nisso!
    Repito não é uma questão de pedir desculpas por ter uma vida melhor, mas a de sensiblizar pela grande maioria das pessoas que não tem acesso a mesma vida que você.
    Quanto a “se orgulhar de seus erros”, não entendi. Me mostre onde isto acontece? Quem se orgulha de sermos uma nação subdesenvolvida, explorada, com grande disparidade social?
    Bom, não é tudo, mas pelo menos por enquanto é isso. Tenho consciência de que não é o suficiente para você entender o outro lado da história, mas qualquer coisa eu gosto de um debate.

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  7. Só mais umas questões que eu achei que ficou faltando. O capitalismo tem sua base na existência da exploração, uns detêm os meios de produção(os capitalistas) e outros detêm como meio de subsistência apenas sua força de trabalho. Assim o primeiro grupo explora o segundo, comprando sua força de trabalho e ganhando em cima do que estes produzem. Isto é só mais um ponto para provar que o capitalismo existe na América Latina. Se você não concorda com isso, basta ler Adam Smith e Davi Ricardo, considerados os pais do Liberalismo, eles dizem o mesmo.
    Eu falei um pouco sobre Reinaldo Azevedo no texto anterior, bem eu leio a Veja, acho importante ver diferentes perspectivas, mesmo que a Veja seja ideologicamente contrario ao que eu penso. Mas acho que você não le outras coisas se não aquilo que a grande mídia divulga, para te mostrar diferentes perspectivas te indico as revista "Le Monde Diplomatique" e "Caros Amigos".
    E ainda mais uma coisa, você disse que "essa esquerda" só existe em países pobres, não é verdade, basta lembrar que elas nasceram em países europeus e ainda existem lá. O fato de você não os conhece-los não significa que não existam, os PCs (Partidos Comunistas) existem no mundo todo. Nos EUA você tem exemplos como Malcom X e Martin Luther King. Hoje você tem o exemplo da banda "Rage Against the Machine" que entra no palco com a estrela da Internacional, uma bandeira do Che Guevara e a bandeira estados unidense de cabeça para baixo, além de cantarem músicas denunciando o sistema.
    Ainda acho que falta muito, mas eu achei que essas coisas não poderiam passar.
    Abraço

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  8. como eu disse... ai está o comentario de um estudante "normal" de humanas... e bem vermelhinho neh balao, hauhUAHUhauHAUHuahU
    dois lados mostrados, quero ver sangue,lol
    hUHAUhuahUHAUhauhUAH

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  9. HUAHUAHAUHAUHA....
    "normal" de humanas foi engraçado.
    Você nem comentou os meus textos, sempre em cima do muro Parachen.

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  10. Balão: É que eu me manifestei, mas sou estudante ANORMAL de humanas. Minha primeira formação é em ciências da saúde.

    André: eu não conto como estudante de humanas, MESMO. hahah

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  11. PARA BALÃO,
    CONCORDO RAPAZ COM SUA OPINIÃO SOBRE SUA ANALISE DO CAPITALISMO, PRICIPALMENTE QUANDO VC BUSCA SUA NA ORIGENS DO CAPITALISMO, CITANDO A RELAÇÃODE EXPLORAÇÃO QUE MARCA O CAPITALISMO, PRIMEIRO ATRAVES DO USO DA MÃO DE OBRA ESCRAVA, DEPOIS ATRAVES DO USO DA MÃO DE OBRA DOS TRABALHADORES DA AMERICA LATINA E TAMBEM DA AFRICA. È MUITO FACIL AS PESSOAS QUE POSSUI CONDICOES FINANCEIRAS MELHORES SE ESQUIVAR COM O COMROMETIMENTO SOCIAL E UM TEM QUE TER COM O OUTRO.SE VANGLORIAR PORQUE POSSUI DINHEIRO PARA VIAJAR APENAS COMO DIVERSÃO E ESQUECE QUE EXISTE UM OUTRO POVO, UMA OUTRA CULTURA QUE PERMEAIA AO NOSSO REDOR, NUNCA DEVE TER ENTRADO EM CANTATO COM O CONCEITO DE AUTERIDADE, ESSAS PESSOAS QUERER DISCUTIR CAPITALISMO, MAS NÃO SABE NEM SUA IDEOLOGIA, SUAS BASES, COMO ELE FOI FORMADO NO PASSADO E COMO ATUA NO PRESENTE. QUER DESTACAR SUA MERITOCRACIA COMO ISSI FOSSE MARAVILHOSOS. COLOCA A CULPA DA MISERIA EM ALGUNS PRESIDENTES DA AMERICA LATINA COMO FOSSEM ELES OS RESPOSAVEIS. DESSA FORMA ESQUECE QUE A MISERIA ASOLA A A MERICA LATINA A BASTANTE TEMPO.
    QUNADO VC ANALISE UM POUCO SOBRE O CAPITALISMO COMO VC FEZ, CHEGA UM OUTRO, E ACHA QUE VC É VERMELHO, APENAS POR ENTENDER COMO FUNCIONA O CAPITALISMO. E NÃO COMENTA SUAS RESPOSTA, COMO VC FEZ COM A ANALISE DELE.
    E MUITO BOM VIAJAR E CONHECER LUGARES BONITOS,ENTENDER OUTRAS CULTURAS E DIFICIL LIDAR COM A PROBREZA EXISTENTE AO NOSSO REDOR E FACIL SE ESQUIVAR DESSA MISERIA COMO NOS NÃO TIVESSEMOS NADA A VER COM ISSO, NAÕ ESTOU AFIRMANDO QUE É NOSSA CULPA,MAS É FACIL FAZER IGUAL O "SUJEITO' QUE OPINOU PRIMEIRO NO FORUM QUERER COLOCAR A CULPA EM ALGUNS PRESIDENTE ATUAIS E AFIRMA QUE EISTE A MISERIA NESSES PAISES PORQUE A CAPITALISMO NÃO CHEGPU ATE ELES.
    O ESSE CARA NAO CONSEGUE ENTENDER QUE OS PONTOS DE PARTIDA DE CADA SUJEITO SAO DIFERENTES, QUE O MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA TEM COIMO CARACTERISTICA A COMPETIÇÃO E O INDIVIDUALISMO, E A PRODUÇÃO DA MISERIA. SERÁ QUE ELE ACHA QUE OS PAISES EUROPEUS SAÕ RICAS PORUQ EÉ MELHORES QUE NÓS LATINOS AMERICANOS? NA MINHA OPINIÃO ELE TEM QUE ENTERDER DO CAPITALISMO PARA QUERER FALAR, ENTERDER O QUE É AUTERIDADE PARA VIAJAR! E TENTAR FICAR QUETO QUANDO NÃO ENTENDE AS COISA!
    PARABENS PELO SEU TEXTO!
    ABRAÇOS

    RENAN( ESTUDANTE DA FACULDADE DE EDUICAÇÃO DA UNICAMP)

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