Sabe quando você chega em um lugar e tem certeza que aquele não é o seu lugar, que não seria o seu, digamos, habitat natural? Então. É mais ou menos o que eu senti quando vim pra cá, pra São Carlos. Mas eu não sei explicar exatamente o porquê disso, porque as pessoas aqui são bem gente boa, a universidade lembra bastante a UFPR mesmo, embora seja bem maior que o Politécnico. E a cidade em si me lembra muito Rio Negro e Mafra, com seus morros pra todos os lados e um jeitão de cidade pequena, do interior.
Aliás, talvez seja exatamente por isso. Cidades do interior me agoniam ao longo prazo; se for pra passar um ou dois dias, sem problemas. Mas a partir do momento que eu tenho que morar numa cidade pequena, do interior, começa a me agoniar. Talvez pela falta de opções do que fazer, mas eu acho que é principalmente pelo jeito sem pressa das pessoas. É sério, gente muito calma, sem pressa de fazer as coisas, me estressa e muito. Mas isso é assunto para um post futuro, cujo esqueleto já está mais ou menos na minha cabeça (ela é grande, cabe muita coisa nela).
Mas continuando: talvez esse sentimento de que eu não vou conseguir me adaptar venha do fato de que eu sei que tudo isso é passageiro, provisório. Tudo aqui tem um quê de viagem, de quando você vai a passeio em um lugar e já vai voltar pra casa. E junto com isso, um pouco de instinto de auto-preservação: se eu não me adaptar bem aqui, vai ser mais fácil voltar pra Curitiba. Agora, se eu me adaptar bem, e me envolver com a cidade e com as pessoas daqui, vai ser bem complicado voltar. E como ficar aqui indefinidamente não é uma opção, pelo menos por enquanto...
E tem outra: não tem ninguém aqui com quem eu tenha uma amizade tão sólida e forte quanto as pessoas de Curitiba ou de Mafra. Não existe aqui alguém tão chato (e por isso mesmo, tão bom) de se discutir quanto o André. Não tem alguém retardado como a Aninha ou a Terezinha. Não existe ninguém aqui que eu possa xingar e ser xingado de um modo tão carinhoso, como tantos (Darlene, Andréia,...). Parceiros de copo podem até existir, mas não com uma conversa tão boa quanto a Fran ou a Paula.
Aqui não existe amigos pelos quais eu não colocaria apenas a mão no fogo, mas me jogaria na fogueira se preciso, como o Caio, Tio, Carla, Felipe, Loraine, Raquel, Carol, Rafael, Gabriel, Ine, todos os já citados e alguns outros, talvez menos presentes. Amigos que, com suas particularidades, me tornam o que eu sou. E, por eles não estarem aqui comigo, é que esta cidade nova parece ser tão incompleta. E por mais que eu faça novos amigos aqui, não trocaria nenhum dos velhos por eles.
Enfim. De todos os motivos que me fazem sentir assim, acho que este último é o mais influente. E eu não vejo a hora de voltar para onde eu me sinto em casa.







Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAaaaai que lindo!
ResponderExcluirSei que não se compara, mas também mudei de "casa" recentemente e é tudo muito estranho, apesar de, simultaneamente, ser muito interessante.
Mas não fique assim, tão saudoso, que passa rápido e você logo volta :)
Um adendo: troco a mão na fogueira por uma mãozinha quando eu resolver NADAR hahaha.
Pra acabar com o mela-mela: sabadão É NÓIS de garrafa na mão e o créu na cabeça!!!
1- Realmente um cabeção.
ResponderExcluir2- Retardado é você.
3- Tá morrendo de saudadeeeeeeee!! Se fodeu vou te aporrinhar com isso pra sempre.
4- burguer kiiiiiiiiiiiiiiiiiing =(