domingo, 18 de janeiro de 2009

Sobre minorias, preconceitos e presidentes

Uma coisa que eu nunca entendi direito é esse papo de "minorias". Por que sempre se tende a segmentar as pessoas por sexo, religião, cor da pele (entre muitas outras coisas) como se, por ele ter uma opinião diferente da sua ou a pele um pouco mais clara ou mais escura que a sua o transforme em algo completamente distindo do que você é.
Eu nunca entendi o porquê do Dia do Orgulho Negro, por exemplo. Tudo bem, eu entendo que os negros sofreram e sofrem discriminação por causa da sua cor e que é importante que lutem pelos seus direitos - assim como qualquer pessoa deve fazer. Mas, na minha opinião, não existem os
direitos dos negros, dos judeus, dos asiáticos ou dos brancos. Existem os direitos de todas as pessoas, de que todos sejam tratados como os iguais que são. Se fosse criado um, sei lá, Dia do Orgulho dos Judeus - outro grupo que é discrimidado -, esta atitude não seria vista com bons olhos por quase ninguém.
Outro caso parecido são os gays, em que há um preconceito até menos velado que contra os negros. Ainda mais porque, na maioria das religiões, a homossexualidade é vista como um pecado mortal, um erro terrível. Bom, eu tenho amigos gays e não os considero pessoas piores por causa disso, pra mim, aliás, tanto faz. Como disse um humorista americano (cujo nome eu não lembro, infelizmente), eu tenho amigos héteros e gays, mas pra mim não faz diferença nenhuma: afinal, eu não quero transar com nenhum dos dois grupos mesmo. Tudo o que eu espero é o mínimo de respeito: que eles respeitem que eu gosto de mulher e eu respeito o gosto deles. Afinal, cada um sabe o que faz, desde que não prejudique ninguém.
Mas eu saí do tema, volto: o que eu acho errado é quando, por exemplo, um homossexual não é aceito em algum lugar e há uma comoção geral dos defensores da minorias, gritando a plenos pulmões "só porque ele é gay" - quando nem é o caso. Como aconteceu com aqueles dois sargentos que foram presos - por terem cometido infrações contra o código do exército - e todos estes "defensores das minorias" protestaram contra um suposto preconceito, que nem foi o que causou as prisões.

Mas, afinal, por que eu estou falando isso? Porque terça-feira toma posse o novo presidente dos EUA, Barack Obama. O primeiro dos 44 presidentes americanos que é negro. E, por causa disso, estão vendo ele como se fosse o salvador do mundo. Enquanto ele, infelizmente, não vai ser. Ele não vai fazer um governo perfeito e nem é muito diferente dos outros presidentes. Em alguns casos, como o do Irã, ele é até mais radical que o Bush - afinal ele, na campanha, cogitou a possibilidade de uma guerra contra este país.
Tá certo: eu achei interessante a eleição de um negro para a presidência dos Estados Unidos, porque mostrou um amadurecimento do eleitorado (e, por que não?, do povo em geral) americano - o que pode se refletir no resto do mundo -, que deixou de lado seu preconceito. Mas parou por aí. Ele próprio - o que eu achei ótimo da parte dele -, no seu último discurso, já admitiu que vai, inevitavel e infelizmente, cometer erros. Por outro lado, eu tenho um certo medo de, por ele ser parte de uma minoria, Obama ser blindado pela opinião pública contra estes erros, mais ou menos como ocorre no caso do Lula aqui no Brasil.
Lula foi eleito aqui no Brasil, com aquele discurso da esperança vencendo o medo e tal. Tudo muito bonito: mostramos pro mundo inteiro que o Brasil não era preconceituoso: elegemos um nordestino, EX-torneiro mecânico, EX-pobre e sem diploma universitário. Tudo muito bonito, tudo muito perfeito. Até que começaram a surgir casos de corrupção, desvio de dinheiro e outras fraudes. E todo mundo que acusasse o Lula de participação nestes casos, era tachado de preconceituoso. Se alguém criticasse o governo por escolhas erradas, era só porque Lula era pobre e não teve estudo. Lula conseguiu tornar questionamentos meramente políticos, de opinião e ética em preconceito e luta de classes.
Eu espero, sinceramente, que isto não aconteça nos EUA. Afinal, a democracia americana está muito mais consolidada do que a brasileira e não seria tão fácil fazer lá o que o Lula fez aqui. Mas que eu tenho medo desta Obama-mania, que transforma um presidente eleito em uma espécie de super-herói... ah, eu tenho.
Eu só espero que parem de ver o Barack Obama como um presidente norte-americano negro e passem a vê-lo apenas como um presidente norte-americano. Assim como, quase utopicamente, eu espero que esta aura de "ser minoria" que o Lula joga sobre si mesmo acabe. E ele seja visto pelo que ele é: o presidente do Brasil, feliz ou infelizmente. E não o presidente-torneiro-mecânico-pobre-nordestino.

2 comentários:

  1. gay é um termo perjorativo, o certo seria homossexual!

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  2. Da ONDE que é pejorativo? Isso é igual dizer que "preto" é pejorativo e o bonito é falar "afrodescente".

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