quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Rhinotillexomania a 5.800km/s

O ser humano só é o que é devido à sua capacidade de criar, guardar e transmitir conhecimento. Ou seja, nosso diferencial para todas as outras espécies do mundo é o fato que podemos produzir ciência. Isso é fato, não tem nem como discutir. Ponto parágrafo.
Desde a pré-história, o homem vem produzindo conhecimento, produzindo ciência e tecnologias para melhorar as suas chances de sobrevivência. Foi assim na descoberta do fogo, na invenção das ferramentas, agricultura, cerâmica, o diabo a quatro. Até que o homem adquiriu uma superioridade de sobrevivência sobre as outras criaturas. Aí a coisa mudou um pouco de figura.
A humanidade passou então a queimar a mufa procurando respostas para questões que não são tão importantes para a sua sobrevivência. Ou seja, começou a pensar em coisas que não precisava. Só por pensar mesmo: é divertido. E assim surgiu a filosofia e todas aquelas perguntas como “de onde viemos?”, “para onde vamos?” e “tem internet lá?”, entre outras. E daí pra frente foi um caminho sem volta.
Atualmente a humanidade produz ciência em uma velocidade espantosa, assustadora mesmo. Piscamos os olhos e já percebemos que tudo aquilo que tínhamos como certo antes já está ultrapassado. Além do aumento da velocidade na produção de ciência, houve também um aumento do número de grupos de pesquisa.A quantidade de pessoas trabalhando com ciência é enorme. E isso esbarra em um grande problema: a necessidade da originalidade.
Toda pesquisa científica tem que ser original, inédita. Senão não pode ser chamada de ciência. Afinal, por que alguém vai inventar algo que já existe? Em toda pesquisa, saímos do que já sabemos para chegar em algum resultado desconhecido, totalmente novo, que pode ser ou não ser útil.
Abro aqui um parênteses: quase toda pesquisa é útil, de uma forma ou de outra, por mais estranho que isto possa parecer em alguns casos. Nem que esta utilidade seja, digamos indireta. Um exemplo: Em química, síntese orgânica (área em que trabalho), algumas vezes sintetizamos compostos que, a princípio não tem utilidade prática e que nunca pode ter. Mas todo o processo criado para a produção deste composto pode ser usado no futuro para que seja feito algum composto que seja de uma utilidade fantástica.
Voltando à linha de raciocínio do texto, existem, dentre todo este universo gigantesco de pesquisas sendo desenvolvidas, algumas que não tem exatamente um sentido para sua existência. Em um dia sem ter nada pra fazer da vida, acabei de deparando com algumas destas pesquisas e decidi fazer um breve levantamento de pesquisas inúteis. Enfim, sem mais delongas, um Top 5 de pesquisas inúteis.

5 - Um cientista estudou os efeitos da cerveja na produção científica dos seus colegas. E descobriu que quanto mais o cientista bebe, menor é a probabilidade deste publicar algum artigo científico.

4 - Foi descoberto que 90% das pessoas praticam o ato de cutucar o nariz, a famosa “limpeza do salão”, ou Rhinotillexomania, que é o termo científico pra coisa.

3 - Cientistas japoneses desenvolveram um estudo chamado “Prevenção: como fazer para um par de meias não escorregar do seu pé”. Eles pesquisaram durante um bom tempo para chegar à brilhante conclusão de que quanto mais apertada a meia, menos ela escorrega.

2 - A indústria bélica agora pretende ser amiga da natureza. Para isto, existe uma pesquisa em andamento que pretende desenvolver uma bomba que usa o nitrogênio como energia no lugar do carbono. Estas novas bombas são mais resistentes, não explodem tão facilmente e ainda destroem mais. Segundo o químico (tinha que ser, mesmo!) responsável pela pesquisa, a bomba precisa ser melhorada: ela liberou, durante os testes, gás cianeto, que pode ser fatal.

1 - Papai Noel mora no Quirguistão. Sim, esqueça o Pólo Norte: o bom velhinho mora mesmo é na Ásia. Segundo os pesquisadores (?) se o velho sair do Quirguistão e viajar no sentido contrário à rotação da Terra, viajando a 5.800km/s, teria exatamente 34 microssegundos para deixar cada presente e levaria exatamente 48 horas para cumprir o seu dever natalino. Pois é.

(Post originalmente publicado no Nerd Curitibano.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário