quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Top 10 Desenhos Pós-Infância

Eu sempre gostei de desenhos animados. Se eu pudesse, passava o dia inteiro assistindo os canais de desenho. Apesar de eu ter saudade dos desenhos que passavam na minha infância - Caverna do Dragão, Smurfs, Cavaleiros do Zodíaco, entre outros - eu gosto bastante de alguns desenhos atuais que conseguem me fazer gargalhar sozinho como bobo. Por isso, resolvi fazer uma lista dos desenhos atuais que eu mais gosto de assistir, embora nem sempre possa. Segue, então, a lista, em ordem de preferência.


10 - Jimmy Neutron

Jimmy Neutron é um piá com uma cabeça enorme (deve ser por isso que me identifico), super-inteligente (o QI dele é 214) e tem um cachorro-robô chamado Goddard que se auto-destruir e se reconstruir quando Jimmy o manda fingir de morto. Mas o melhor do desenho mesmo são os amigos de Jimmy, o gordo e atrapalhado Caio e o completamente pirado Sheen.


09 - Dave, o Bárbaro

Dave é um bárbaro de Udrogoth, com a força de 10 homens, uma espada encantada - Lulo - que quase não para de falar, um dragão domesticado amarelo e vesgo e duas irmãs, Candy e Fang. Dave gosta de cozinhar e poesias enquanto deveria ser um bárbaro de primeira.


08 - Bob Esponja

Este desenho, de certa forma, já perdeu muito da graça dele. Acho que foi tão falado que acabou cansando. Mas o episódio em que o Bob Esponja vai para uma outra cidade, nas profundezas do oceano e não consegue voltar continua sendo um dos melhores episódios de desenhos que eu já vi.


07 - Avatar

Este eu acho que só não está em posição melhor porque eu não assisti poucas vezes. O desenho conta a história de Aang, um avatar - ou seja, ele consegue manipular os quatro elementos -, que tem que salvar o mundo da Nação do Fogo.


06 - As Terríveis Aventuras de Billy e Mandy

Um desenho meio que fora dos padrões. Billy e Mandy são crianças não muito normais que têm Puro-Osso, o ceifador sinistro, como amigo, devido a uma aposta que eles fizeram. O desenho tem algumas partes que não são típicas de desenhos infantis - tanto que a minha irmã proíbe o meu sobrinho de ver este.


05 - Teen Titans

Baseado nos Novos Titãs, grupo de super-heróis adolescentes da DC, a história deste desenho gira em torno da luta de Robin, Estelar, Mutano, Ciborgue e Ravena contra o vilão Slade e a Irmandade Negra.


04 - Du, Dudu e Edu

Eles são idiotas. Completamente idiotas. Apesar de o Dudu ser o mais esperto dos três e viver recriminando os outros dois, ele sempre acaba se juntando na hora de fazer coisas estúpidas. Mas, sem dúvida, o melhor dos três é o mais imbecil deles, Du.


03 - Mansão Foster Para Amigos Imaginários

Quando você está ficando velho demais para ter amigos imaginários, você leva o seu antigo companheiro para um lugar onde irão tratar bem dele: a Mansão Foster. É lá que Mac leva o seu amigo imaginário Bloo e conhece Minguado, Coco e Eduardo.


02 - Turma do Bairro

Existe, desde muito tempo, uma guerra entre crianças e adultos. E para defender as crianças existe a Turma do Bairro! O Setor V da Turma do Bairro é liderado pelo Nico Uno e é composto por mais quatro membros: Horárcio (2), Ukibe (3), Maurício (4) e Abigail (5). O Quartel-general do setor V é uma casa em uma árvore gigantesca.


01 - Padrinhos Mágicos

Timmy Turner era um garoto cheio de problemas e maltratado pela sua babá e pelo valentão da escola, Francis, que recebe a visita de Cosmo e Wanda, os seus novos padrinhos mágicos, que vieram para realizar desejos para ele - desde que não viole as regras. Enquanto Cosmo é o padrinho mágico lezado, Wanda é a voz da razão do casal. Wanda, Cosmo e Timmy têm, ainda, que se preocupar em não serem descobertos pelo professor do Timmy, Denzel Crocker, que é maluco e obcecado por fadas.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Rhinotillexomania a 5.800km/s

O ser humano só é o que é devido à sua capacidade de criar, guardar e transmitir conhecimento. Ou seja, nosso diferencial para todas as outras espécies do mundo é o fato que podemos produzir ciência. Isso é fato, não tem nem como discutir. Ponto parágrafo.
Desde a pré-história, o homem vem produzindo conhecimento, produzindo ciência e tecnologias para melhorar as suas chances de sobrevivência. Foi assim na descoberta do fogo, na invenção das ferramentas, agricultura, cerâmica, o diabo a quatro. Até que o homem adquiriu uma superioridade de sobrevivência sobre as outras criaturas. Aí a coisa mudou um pouco de figura.
A humanidade passou então a queimar a mufa procurando respostas para questões que não são tão importantes para a sua sobrevivência. Ou seja, começou a pensar em coisas que não precisava. Só por pensar mesmo: é divertido. E assim surgiu a filosofia e todas aquelas perguntas como “de onde viemos?”, “para onde vamos?” e “tem internet lá?”, entre outras. E daí pra frente foi um caminho sem volta.
Atualmente a humanidade produz ciência em uma velocidade espantosa, assustadora mesmo. Piscamos os olhos e já percebemos que tudo aquilo que tínhamos como certo antes já está ultrapassado. Além do aumento da velocidade na produção de ciência, houve também um aumento do número de grupos de pesquisa.A quantidade de pessoas trabalhando com ciência é enorme. E isso esbarra em um grande problema: a necessidade da originalidade.
Toda pesquisa científica tem que ser original, inédita. Senão não pode ser chamada de ciência. Afinal, por que alguém vai inventar algo que já existe? Em toda pesquisa, saímos do que já sabemos para chegar em algum resultado desconhecido, totalmente novo, que pode ser ou não ser útil.
Abro aqui um parênteses: quase toda pesquisa é útil, de uma forma ou de outra, por mais estranho que isto possa parecer em alguns casos. Nem que esta utilidade seja, digamos indireta. Um exemplo: Em química, síntese orgânica (área em que trabalho), algumas vezes sintetizamos compostos que, a princípio não tem utilidade prática e que nunca pode ter. Mas todo o processo criado para a produção deste composto pode ser usado no futuro para que seja feito algum composto que seja de uma utilidade fantástica.
Voltando à linha de raciocínio do texto, existem, dentre todo este universo gigantesco de pesquisas sendo desenvolvidas, algumas que não tem exatamente um sentido para sua existência. Em um dia sem ter nada pra fazer da vida, acabei de deparando com algumas destas pesquisas e decidi fazer um breve levantamento de pesquisas inúteis. Enfim, sem mais delongas, um Top 5 de pesquisas inúteis.

5 - Um cientista estudou os efeitos da cerveja na produção científica dos seus colegas. E descobriu que quanto mais o cientista bebe, menor é a probabilidade deste publicar algum artigo científico.

4 - Foi descoberto que 90% das pessoas praticam o ato de cutucar o nariz, a famosa “limpeza do salão”, ou Rhinotillexomania, que é o termo científico pra coisa.

3 - Cientistas japoneses desenvolveram um estudo chamado “Prevenção: como fazer para um par de meias não escorregar do seu pé”. Eles pesquisaram durante um bom tempo para chegar à brilhante conclusão de que quanto mais apertada a meia, menos ela escorrega.

2 - A indústria bélica agora pretende ser amiga da natureza. Para isto, existe uma pesquisa em andamento que pretende desenvolver uma bomba que usa o nitrogênio como energia no lugar do carbono. Estas novas bombas são mais resistentes, não explodem tão facilmente e ainda destroem mais. Segundo o químico (tinha que ser, mesmo!) responsável pela pesquisa, a bomba precisa ser melhorada: ela liberou, durante os testes, gás cianeto, que pode ser fatal.

1 - Papai Noel mora no Quirguistão. Sim, esqueça o Pólo Norte: o bom velhinho mora mesmo é na Ásia. Segundo os pesquisadores (?) se o velho sair do Quirguistão e viajar no sentido contrário à rotação da Terra, viajando a 5.800km/s, teria exatamente 34 microssegundos para deixar cada presente e levaria exatamente 48 horas para cumprir o seu dever natalino. Pois é.

(Post originalmente publicado no Nerd Curitibano.)

domingo, 18 de janeiro de 2009

Sobre minorias, preconceitos e presidentes

Uma coisa que eu nunca entendi direito é esse papo de "minorias". Por que sempre se tende a segmentar as pessoas por sexo, religião, cor da pele (entre muitas outras coisas) como se, por ele ter uma opinião diferente da sua ou a pele um pouco mais clara ou mais escura que a sua o transforme em algo completamente distindo do que você é.
Eu nunca entendi o porquê do Dia do Orgulho Negro, por exemplo. Tudo bem, eu entendo que os negros sofreram e sofrem discriminação por causa da sua cor e que é importante que lutem pelos seus direitos - assim como qualquer pessoa deve fazer. Mas, na minha opinião, não existem os
direitos dos negros, dos judeus, dos asiáticos ou dos brancos. Existem os direitos de todas as pessoas, de que todos sejam tratados como os iguais que são. Se fosse criado um, sei lá, Dia do Orgulho dos Judeus - outro grupo que é discrimidado -, esta atitude não seria vista com bons olhos por quase ninguém.
Outro caso parecido são os gays, em que há um preconceito até menos velado que contra os negros. Ainda mais porque, na maioria das religiões, a homossexualidade é vista como um pecado mortal, um erro terrível. Bom, eu tenho amigos gays e não os considero pessoas piores por causa disso, pra mim, aliás, tanto faz. Como disse um humorista americano (cujo nome eu não lembro, infelizmente), eu tenho amigos héteros e gays, mas pra mim não faz diferença nenhuma: afinal, eu não quero transar com nenhum dos dois grupos mesmo. Tudo o que eu espero é o mínimo de respeito: que eles respeitem que eu gosto de mulher e eu respeito o gosto deles. Afinal, cada um sabe o que faz, desde que não prejudique ninguém.
Mas eu saí do tema, volto: o que eu acho errado é quando, por exemplo, um homossexual não é aceito em algum lugar e há uma comoção geral dos defensores da minorias, gritando a plenos pulmões "só porque ele é gay" - quando nem é o caso. Como aconteceu com aqueles dois sargentos que foram presos - por terem cometido infrações contra o código do exército - e todos estes "defensores das minorias" protestaram contra um suposto preconceito, que nem foi o que causou as prisões.

Mas, afinal, por que eu estou falando isso? Porque terça-feira toma posse o novo presidente dos EUA, Barack Obama. O primeiro dos 44 presidentes americanos que é negro. E, por causa disso, estão vendo ele como se fosse o salvador do mundo. Enquanto ele, infelizmente, não vai ser. Ele não vai fazer um governo perfeito e nem é muito diferente dos outros presidentes. Em alguns casos, como o do Irã, ele é até mais radical que o Bush - afinal ele, na campanha, cogitou a possibilidade de uma guerra contra este país.
Tá certo: eu achei interessante a eleição de um negro para a presidência dos Estados Unidos, porque mostrou um amadurecimento do eleitorado (e, por que não?, do povo em geral) americano - o que pode se refletir no resto do mundo -, que deixou de lado seu preconceito. Mas parou por aí. Ele próprio - o que eu achei ótimo da parte dele -, no seu último discurso, já admitiu que vai, inevitavel e infelizmente, cometer erros. Por outro lado, eu tenho um certo medo de, por ele ser parte de uma minoria, Obama ser blindado pela opinião pública contra estes erros, mais ou menos como ocorre no caso do Lula aqui no Brasil.
Lula foi eleito aqui no Brasil, com aquele discurso da esperança vencendo o medo e tal. Tudo muito bonito: mostramos pro mundo inteiro que o Brasil não era preconceituoso: elegemos um nordestino, EX-torneiro mecânico, EX-pobre e sem diploma universitário. Tudo muito bonito, tudo muito perfeito. Até que começaram a surgir casos de corrupção, desvio de dinheiro e outras fraudes. E todo mundo que acusasse o Lula de participação nestes casos, era tachado de preconceituoso. Se alguém criticasse o governo por escolhas erradas, era só porque Lula era pobre e não teve estudo. Lula conseguiu tornar questionamentos meramente políticos, de opinião e ética em preconceito e luta de classes.
Eu espero, sinceramente, que isto não aconteça nos EUA. Afinal, a democracia americana está muito mais consolidada do que a brasileira e não seria tão fácil fazer lá o que o Lula fez aqui. Mas que eu tenho medo desta Obama-mania, que transforma um presidente eleito em uma espécie de super-herói... ah, eu tenho.
Eu só espero que parem de ver o Barack Obama como um presidente norte-americano negro e passem a vê-lo apenas como um presidente norte-americano. Assim como, quase utopicamente, eu espero que esta aura de "ser minoria" que o Lula joga sobre si mesmo acabe. E ele seja visto pelo que ele é: o presidente do Brasil, feliz ou infelizmente. E não o presidente-torneiro-mecânico-pobre-nordestino.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Top CDs Fodas - Nacionais

Existem algumas canções que nos acompanham pela vida inteira. Algumas que fazem parte da trilha sonora deste filme maluco que é a nossa vida. Músicas que conseguem dizem o que nós não conseguimos falar, seja por falta de coragem ou pela falta de palavras.
Existem alguns álbuns que conseguem juntar várias destas músicas em um só lugar, de uma só vez. E foram estes discos que eu tentei juntar em uma lista, sem ordem de preferência ou de importância. Mas desta vez, só músicas nacionais. E tendo que deixar de fora discos que deveriam estar aqui, mas a lista iria ficar muito grande.


Engenheiros do Hawaii - Filmes de Guerra, Canções de Amor

Este CD - o último da formação clássica dos Engenheiros do Hawaii - é, para mim, quase perfeito. Ele tem um certo clima de separação, de fim, mesmo; até os primeiros versos da primeira música do disco ("não peça perdão/a culpa não é sua/estamos no mesmo barco/e ele ainda flutua") mostram este clima. Música esta, aliás, que cede o seu nome a este humilde blog.
Pontos altos: Mapas do Acaso, Quanto Vale a Vida?, Ando Só e O Exército de Um Homem Só.


Los Hermanos - Ventura

Se você ainda lembra de Anna Julia quando ouve falar de Los Hermanos, trate de mudar isto. Este CD - e o anterior, Bloco do Eu Sozinho - em nada lembra a banda do primeiro álbum e da Anna Julia. A banda se encontra na MPB e consegue produzir ótimas músicas, com letras e instrumentais ótimos.
Pontos altos: Último Romance, Conversa de Botas Batidas, Do Lado de Dentro e De Onde Vem a Calma.


Nenhum de Nós - Acústico Ao Vivo - Theatro São Pedro

Tudo começa com um violãozinho bem fraquinho, bem ao fundo. E aí os instrumentos e a voz do Thedy Correa vão se juntando, um a um, até que o disco começa de verdade. Foi o primeiro CD do Nenhum de Nós - uma das minhas bandas preferidas - que eu comprei, numa época que tudo o que eu conhecida deles era O Astronauta de Mármore.
Pontos altos: Sobre o Tempo, Diga a Ela, Dias Que Virão e Jornais.


Oswaldo Montenegro - Seu Francisco

Como disse o Oswaldo neste cd, "o meu sentimento por Francisco Buarque de Hollanda é da mais profunda reverência". Junte um poeta e compositor fantástico - Chico - com um intérprete sensacional - Oswaldo - e você terá um ótimo disco: dois ícones da MPB de uma só vez. Com algumas músicas não tão conhecidas do Chico - ou melhor, que eu não conhecia à época - Oswaldo Montenegro consegue captar o que há de melhor na obra deste gênio.
Pontos altos: João e Maria, Lamentos/Trocando em Miúdos/Samba do Grande Amor, Deus Lhe Pague e Pelas Tabelas/Não Sonho Mais.


Leoni - Outro Futuro

"Delicadeza e doçura não fazem muito sucesso", como diz a música Lado Z. Mas este CD consegue ser delicado, doce e mesmo assim não ser meloso. Coisa, aliás, que Leoni consegue como ninguém. Este álbum tem algumas das melhores músicas do Leoni pós-Kid Abelha. Leoni consegue criar músicas que seriam ótimos Piropos, como diz Chico Buarque no DVD Romance: músicas para se mandar para a mulher amada, tentando conquistá-la.
Pontos Altos: Quem, Além de Você, Lado Z, Soneto do Teu Corpo e A Chave da Porta da Frente.


Cidadão Quem - Ao Vivo no Theatro São Pedro

Quando me emprestaram este CD, eu fui escutar meio desconfiado. Nunca tinha ouvido falar desta banda até aquele momento e eu não sou lá muito aberto a coisas novas, geralmente. Mas eu tive uma ótima surpresa: o CD é muito bom. Mostra um novo momento do Rock Gaúcho, além de Engenheiros e Nenhum de Nós - apesar de se aproximar bastante destas duas bandas. Tanto que Humberto Gessiger participa deste álbum, tocando Terra de Gigantes.
Pontos altos: Ao Fim de Tudo, Música Inédita, Bossa e A La Recherche.


Oswaldo Montenegro - Léo e Bia

Eu me arrependo profundamente de não ter ido ver o musical que originou este disco quando teve em Curitiba. De verdade. A história simples e quase clichê - duas pessoas que se apaixonam, brigam, se separam e se encontram de volta - serve de pano de fundo para ótimas canções deste ótimo compositor. Algumas que são quase um tapa na cara, como a Por Descuido ou Displicência no trecho "quando me chamar de Bia eu finjo não ouvir". Este album trata de Amor, Desamor e separação de uma maneira quase perfeita.e
Pontos Altos: Por Descuido ou Displicência, História Estranha, Drops de Hortelã e Léo e Bia.


Os Paralamas do Sucesso - Nove Luas

Eu não sei exatamente o porque, mas eu tenho um carinho especial por este CD. Tirando a música Outra Beleza, que eu tenho uma certa implicância e nunca consegui gostar dela, este CD é muito bom. Não é exatamente o melhor dos Paralamas, mas eu gosto muito dele. Este eu não sei explicar muito bem.
Pontos altos: Busca Vida, Sempre te Quis, Na Nossa casa e Um Pequeno Imprevisto.


Engenheiros do Hawaii - Várias Variáveis

É o disco de inéditas mais bem-feito dos Engenheiros. E o com a capa mais feia do Rock Nacional. Com todo o lado Rock Progressivo dos EngHaw, as músicas do CD vão se juntando, formando um círculo ou, como disse o Humberto, uma cobra mordendo o próprio rabo. É até difícil selecionar as melhores músicas deste álbum, justamente por isso.
Pontos altos: O Sonho é Popular, Sampa no Walkman, Descendo a Serra e Não é Sempre/Nunca é Sempre.


Nenhum de Nós - Paz e Amor

É o álbum mais suave do Nenhum de Nós, o que não é pouca coisa em termos de suavidade. Como o próprio nome diz, este CD dá uma sensação de calma, de Paz pra quem o escuta. Mas nem por isso deixa de despertar e de mostrar emoções mais fortes. Amor, Amizade, Paixão, Desilusão, Separação: todos estes encontram lugar neste CD. E sem perder a suavidade.
Pontos altos: Você Vai Lembrar de Mim, Da Janela, Tão Diferente e Telhados de Paris.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Deus não é surdo!

Se tem alguma coisa que me deixa irritado são pessoas que não aceitam que as outras possam ser diferentes delas. E nisso entram fundamentalistas religiosos, fanáticos por times de futebol, extremistas de esquerda ou direita, entre muitos outros casos. Mas o pior de tudo, pra mim, são os fundamentalistas religiosos, que, além de não aceitarem a crença - ou a falta de crença - dos outros, ainda manipulam e distorcem a sua própria para justificar esta intolerância. Os outros são assim só porque são idiotas. Não que os fundamentalistas não o sejam. Mas, adiante.
Existem fundamentalistas em quase todas as religiões - talvez só escapem as religiões do oriente, como o Budismo e o Taoísmo. Nestas, aliás, é muito difícil existir extremistas, uma vez que elas pregam mesmo o equilíbrio, a suavidade. Mas volto ao assunto. O caso mais famoso ultimamente é o fundamentalismo islâmico, com seus homens-bombas, seus mísseis em direção a Israel e o seu ódio profundo pela sociedade judaico-cristã-ocidental-capitalista. Mas existem fundamentalistas também no cristianismo, como acontece principalmente na Inglaterra, onde de vez em quando há um certo confronto entre Católicos e Protestante - em que um grupo sequer aceita a convivência com o outro.
Existe até um certo fundamentalismo ateu. E este caso, pelo menos no Brasil, é voltado com quase exclusividade a Igreja Católica, em que estes indivíduos condenam tudo o que vem da mesma - que, lógico, tem as suas falhas e, por que não?, as suas virtudes - e se esquecem que não reconhecem para os outros a mesma liberdade que querem para si mesmos: a liberdade de escolher no que acreditar, ou não.
Mas nenhum tem tanto impacto na minha vida como o fanatismo evangélico - os famosos crentes e frequentadores das Assembleias de Deus ou da Universal do Reino de Deus. Afinal, pessoas que vêem o Demônio em todos os cantos e em quaisquer atitudes que você tenha são completamente irritantes e atrapalham a vida de muita gente. Além disso, tem a famosa gritaria que envolve os seus, digamos, ritos religiosos. Ainda mais quando eles resolvem sair de dentro de suas igrejas gigantescas e, com certeza, caríssimas.
Explico: o prédio onde eu moro aqui em Curitiba é na mesma quadra de uma dessas igrejas da Universal e, praticamente embaixo da janela do meu apartamento - que é no sétimo andar e é voltado para os fundos - existe um dos, acho, três estacionamentos desta igreja. E no ano passado que começou a putaria: pelos idos de Janeiro do ano passado, algum pastor infeliz desta igreja teve a grande ideia de fazer o culto não mais dentro da igreja mas sim em um dos estacionamentos, não sei se por causa do calor ou para tentar conseguir mais fiéis quase que na marra. Aí foi que os Ázarons agiram contra mim: adivinha qual foi o estacionamento escolhido? Então.
Foram dois dias de cultos no estacionamento: um que começava as 18:30 e ia até as 19:30 e outro que começava as 20:30, também com duração de uma hora. E tinha de tudo nestes cultos: até sessões de descarrego. Mas, como o pessoal do prédio começou a jogar coisas neles durante o culto - e infelizmente eu não me incluí neste grupo, por falta do que jogar - só aconteceram estes dois dias. Ainda bem.
Mas agora eles voltaram com força total e sanguenozóio: hoje aconteceu a mesma coisa, com a pequena diferença de que o horário do culto era as 8:30. É, da manhã! De um Sábado! Hoje eu fui acordado ao maravilhoso som de um dos pastores - acho - cantando uma das músicas no estacionamento, no volume máximo. Só deu tempo de levantar, olhar pela janela e ver aquela multidão entrando no estacionamento correndo e cantando/gritando a música. E de pensar "Puta que pariu! Deus não é surdo, porra!" antes de entrar em desespero e deitar em posição fetal, com a cabeça debaixo do travesseiro, tentando abafar o som. Em vão.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Chico Buarque - A Série

Esses dias, olhando o site da Americanas.com a procura de nada - por pura falta do que fazer mesmo - dei de cara com esse Box em promoção, com quase 50% de desconto - e olha que 50% nesse caso é muita coisa. Fiquei na dúvida se comprava ou não, porque, mesmo com o desconto, ainda era um tanto caro. Mas, resolvi comprar. Afinal, é Chico Buarque, não tem como ser ruim. E, caso eu não achasse tão bom, poderia negociar com o meu pai, que com certeza iria gostar.
Mas não foi esse o caso. Muito pelo contrário, aliás. Recebi hoje os DVDs e vi apenas dois deles. Mas já deu pra perceber que são muito bons. São 12 DVDs temáticos e um de extras e eu já vi o DVD Romance - com as músicas de amor dele, lógico - e o Vai Passar, que trata das músicas da época da ditadura militar. Com entrevistas recentes e antigas e também participações especiais, como Daniela Mercury cantando Eu Te Amo ou em vídeos antigos com Caetano Veloso, Tom Jobim, Milton Nascimento ou Elis Regina.
Nas entrevistas, o Chico vai introduzindo cada música, contando o seu contexto ou então lembrando de outras músicas de outros compositores, para mostrar os vários estilos de músicas de amor (no DVD Romance) e também as músicas que ele admira.

Os DVDs são fantásticos, a altura de um artista - e um gênio - como Chico Buarque. Indispensável para qualquer um que tenha um bom gosto musical.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Chato

Como já disse uma vez Oswaldo Montenegro, é preciso perdoar o chato: ele não tem defeito grave mas sim uma ingenuidade perene - ele acredita que está sendo agradável. Eu até diria mais: todos nós temos um pouco de chatos - e isto é normal - mas tem gente que abusa. Todos nós temos alguma mania chata, que só você e mais ninguém aguenta, e que, por isto mesmo, a gente sempre guarda ela pra quando estiver sozinho. O problema é quando a pessoa não tem este filtro social, quando ela acredita que aquilo é normal.
Existem muitos tipos de chatos - alguns piores que os outros mas todos essencialmente chatos - e todos eles têm cara de chato e podem ser reconhecidos à distância, mas nem sempre evitados: uma vez que ele te viu, ele vai te infernizar a vida. E não adianta mostrar pra ele que você não está interessado no que ele tem a dizer, ele vai dizer assim mesmo; porque ele acredita que você quer saber que o filho dele de 12 anos (chato também, afinal isto é genético) sabe contar até 10 em 25 idiomas. E você vai ter sorte se o dito-cujo não estiver junto, senão você ia ter que escutar tudo.
Chato é aquele cara que te cutuca o tempo todo enquanto fala com você. Ele fala e vai cutucando e por mais que você tente se afastar, não adianta. Ou aquele que falou com você uma vez na vida e já te trata como se fosse um amigo de infância ou quer opinar sobre tudo o que acontece na sua vida - e ele sempre tem a solução pra tudo, lógico. E, como disse Millor, ele vai te explicar tudo tim-tim por tim-tim e depois ainda entrar em detalhes.
Outro tipo de chato, com que, aliás, eu convivo bastante, é aquele que te liga as 8:00 da manhã de um domingo no meio das férias e, quando você atende com aquela voz de sono pergunta "eu te acordei?" "Lógico que não acordou: eu tenho o hábito de acordar antes do sol nascer aos domingos para não fazer nada! Sou meio masoquista mesmo, afinal convivo com você." E, é claro, o motivo que levou o cidadão a te ligar não era nada urgente e poderia esperar até um horário razoável. E, por falar em 8:00 da manhã, não tem nada mais chato do que quando você tá com aquela cara totalmente amassada e pensando em mandar tudo pro inferno e voltar a dormir e o chato vem e grita do teu lado, com aquela voz de felicidade que só os chatos têm "bom dia!". Bom dia é o caralho. Ou então aquele Free Talker que sempre aparece quando você não quer falar com ninguém, começa a tentar conversar sobre o tempo e, antes que você perceba, já te contou a vida inteira dele.
E em teatros, cinemas e shows. Sempre tem um chato por perto. Seja aquele cara que tem 2 metros de altura e resolve ficar na sua frente para que você não enxergue nada ou aquele chato quase profissional que, quando tá com tosse vai ao teatro. Mas o pior nestes casos é aquele chato que bate palma enquanto ri. É sério: experimente ficar do lado de uma pessoa dessas num filme ou numa peça de comédia e você vai saber o que é querer espancar alguém depois de 2 minutos de convivência. Ou então aquele chato que tem que ou comentar sobre tudo o que acontece no filme ou que não entende o que aconteceu e fica perguntando pra pessoa do lado "Quem é ele?", "Onde é este lugar?" ou "Ele vai morrer?".
Também é chato aquele que, quando tem qualquer coisa, fica esfregando na cara dos outros. "O meu celular consegue acessar a internet, tirar foto, gravar vídeos, assoviar, chupar cana e coçar as minhas costas AO MESMO TEMPO". E daí você pergunta: "E eu com isso?" e é taxado de mal-educado (ou maleducado? Esta reforma ortográfica é uma das coisas mais chatas que já fizeram). Aliás, ter que ser sempre educado é muito chato também.
E existem também os chatos mais leves, mais inofensivos até. Aquele chato que quando você pergunta se está tudo bem com ele, ele responde. "Tudo bem?" é igual a "oi". É automático: "Tudo bem?", "Tudo. E você?". A pessoa não quer saber se está tudo bem com você, ela está te cumprimentando. Só isso, simples assim. Ou então, algo raro aqui em Curitiba (ainda bem), aquele que se você diz "aparece lá em casa um dia desses", ele aparece. "Aparece lá em casa" é como o "Vamos marcar": é pra demonstrar uma vontade de querer ver a pessoa mas deixando claro que não é agora, que você vai convidar a pessoa quando você quiser. Mas o chato nunca consegue entender este tipo de coisa.
Mas somos todos chatos. Todos nós carregamos dentro de nossa personalidade algo completamente chato, insuportável até. Afinal, chato é aquele que fica reclamando dos outros chatos. Eu também estou sendo chato por estar escrevendo este texto. Mas mesmo assim, é preciso perdoar o chato.