quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Top 10 Livros, Parte II

De novo eu afirmo: estes livros são os que EU mais gostei quando li. São os que mais me marcaram. São os que eu leio e releio, com algumas partes que até decorei.

Bom, terminando a lista dos 10 melhores livros que eu já li:

5. Olhai Os Lírios do Campo - Erico Veríssimo

"Era-lhe vagamente incômodo ser assim descoberto, assim adivinhado nos sentimentos mais íntimos. Ele relutava em concordar, em se dar por vencido. Mas era inútil. Os olhos de Olívia pareciam ver além das coisas físicas. E por que era que ele nunca se zangava, nunca se irritava com as observações dela, por mais diretas, cruas e contundentes que fossem? Por que era que ele não se irritava mesmo quando, com espantoso olho clínico, ela botava o dedo nas suas feridas mais profundas?"
O livro conta a história de Eugênio Fontes, filho de um modesto alfaiate que consegue, apesar de todas as dificuldades, se formar em medicina. Se apaixona por Olívia, sua colega de faculdade mas, apesar disto, se casa com Eunice, filha de um rico empresário. O romance começa no momento em que Eugênio recebe o aviso de que Olívia está no hospital, morrendo, e decide ir para a cidade para vê-la. Durante a viagem, há flashbacks do passado de Eugênio, da sua infância infeliz, da faculdade de medicina, dos momentos com Olívia e do seu casamento com Eunice.
Basicamente, é uma história sobre o conflito humano da segurança versus a felicidade.

4. Do Amor e Outros Demônios - Gabriel García Márquez

"Enfim a tuas mãos hei chegado, onde sei que hei de morrer para que só em mim seja provado o quanto corta uma espada em um vencido."
História baseada em uma reportagem que Gabriel García Marquez fez para cobrir a remoção das criptas do Convento de Santa Clara, em que foi encontrado uma ossada com cabelos de aproximadamente 22 metros. Anos depois, García Marquez cria o romance sobre a menina Sierva Maria que, após ser mordida por um cachorro com raiva, é internada em um convento onde seria exorcisada. Mas o jovem padre responsável pelo seu exorcismo acaba se apaixonando por ela.

3. A Garota das Laranjas - Jostein Gaarder

"- Quanto tempo você consegue esperar?
Que diabo de resposta eu podia dar, Georg? Talvez fosse uma armadilha. Se dissesse "dois ou três dias", eu me mostraria impaciente demais. E, se respondesse "a vida inteira", ela podia pensar que eu não a amava tanto assim ou talvez que não fosse sincero. De modo que era preciso encontrar uma resposta intermediária.
Eu disse:
- Aguento esperar até que o meu coração comece a sangrar de alfição.
Ela sorriu, insegura. Então roçou o dedo em meus lábios. E perguntou:
- E quanto tempo demora?
Desesperado, eu sacudi a cabeça e resolvi dizer a verdade.
- Cinco minutos, talvez."
Georg, um rapaz de 15 anos, descobre uma carta escondida do seu pai, Jan, escrita poucos dias antes da sua morte há 11 anos. Nesta carta, Jan conta ao seu filho a história de um amor, que ele encontrara por acaso. Uma garota que sempre carregava um saco de laranjas. O livro alterna a narrativa do pai, através da carta, com a do filho, no presente.
Apesar de não ser tão conhecido como o famoso O Mundo de Sofia, este livro é, na minha opinião, o melhor do autor, a sua obra-prima. Uma história de como a vida nos dá e nos arranca a felicidade. Será que vale a pena?

2. Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez

"Lembrando-se destas coisas enquanto aprontavam o baú de José Arcádio, Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo."
A história deste livro se passa na fictícia Macondo e acompanha a família Buendia, que fundou a cidade. Uma cidade quase esquecida pela morte, uma criança com rabo de porco, um homem seguido por borboletas amarelas, uma mulher - a mais linda que já existiu na terra - que sobe aos céus, tudo isto se mistura na narrativa sobre revoluções, guerras, incesto, corrupção e, principalmente, loucura, neste realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez.
Cem anos de solidão é um livro um tanto complicado de ler, tanto pelo sua densidade quanto por uma escolha do autor: quase todos os homens da família Buendia se chamam ou Aureliano ou José Arcadio. Existe até um momento do livro em que aparecem 17(!) Aurelianos Buendia ao mesmo tempo, o que torna a história um pouco difícil de ser seguida. Mas o livro compensa qualquer dificuldade: é belíssimo, com uma história fantástica e personagens marcantes.

1. O Tempo e o Vento - Erico Veríssimo

"- Olhe aqui. Vou lhe dar uma idéia. Antes de começar o assalto, porque vosmecê não me deixa ir ao casarão ver se o Cel. Amaral consente em se render pra evitar uma carnificina?
- Não, padre. Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti. Não é assim que diz nas Escrituras? Se alguém me convidasse pra eu me render eu ficava ofendido. Um homem não se entrega."
- Mas não há nenhum desdouro. Isto é uma guerra entre irmãos.
- São as mais brabas, padre, são as mais brabas.
(...)
O padre viu o capitão dirigir-se para o ponto onde um grupo de seus soldados o esperava. A noite estava calma. Galos de quando em quando cantavam nos terreiros. Os galos não sabem de nada - refletiu o padre. Sempre achara triste e agourento o canto dos galos. Era qualquer coisa que o lembrava da morte. Voltou para casa, fechou a porta, deitou-se na cama com o breviário na mão, mas não pôde orar. Ficou de ouvido atento, tomado duma curiosa espécie de medo. Não era medo de ser atingido por uma bala perdida. Não era medo de morrer. Não era nem medo de sofrer na carne algum ferimento. Era medo do que estava para vir, medo de ver os outros sofrerem. No fim de contas - se esmiuçasse bem - o que ele tinha mesmo era medo de viver, não de morrer."
A história começa com a chegada de uma mulher grávida a uma das Missões Jesuistas no Rio Grande do Sul. Esta mulher iria dar a luz a Pedro Missioneiro, índio que tem visões sobre as lutas em que espanhóis e portugueses dizimaram as Missões. Pedro Missioneiro, após isto, conhece e se apaixona por Ana Terra, filha do dono de uma sesmaria no Rio Pardo. Este é o ponto de partida da trilogia O Tempo e o Vento, que segue a história das famílias Terra e Cambará, tendo como pano de fundo a história do Rio Grande do Sul,de 1680 a 1945.Com vários personagens fortes e marcantes, além da própria história, que consegue incluir estes personagens fictícios nos fatos reais, sem que se consiga diferenciar realidade de ficção, com certeza este livro merece o lugar de destaque nesta lista. Entre os personagens marcantes, destaco principalmente a Ana Terra, com a sua determinação, força e até uma certa teimosia, o médico alemão Carl Winter e a sua saudade da terra natal, mas sem conseguir deixar o lugar onde vive. Mas, sem sombra de dúvidas, o personagem mais marcante é o Capitão Rodrigo Cambará. Briguento, teimoso, impulsivo... É um personagem simplesmente fantástico. Foi expulso da cidade assim que chegou, mas decidir ficar e acabou ficando. Lutou todas as guerras que pôde e sempre quis morrer de bala, porque "Cambará macho não morre na cama". E ele já impressiona logo de cara, quando chega à cidade e a sua primeira fala é "Buenas e me espalho, nos pequenos dou de banda e nos grandes dou de talho", arranjando briga com a pessoa que depois seria um de seus melhores amigos.
O livro é fantástico. Ou melhor, os livros, uma vez que a história é dividida em três partes (O Continente, O Retrato e O Arquipélago), com dois ou três livros cada parte. Leitura recomendada.

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