domingo, 28 de dezembro de 2008

Promessas de Ano Novo

Deixando pra lá o meu lado rabugento contra o ano novo e entrando na tradição idiota das promessas de ano novo que ninguém nunca cumpre, resolvi fazer uma lista de tudo o que eu preciso fazer, de tudo o que está de certa forma pendente. Não que eu tenha o prazo máximo para fazer isso até o dia 31 de dezembro de dois mil e nove ou que eu só vou começar a me preocupar só depois da virada do ano. Na verdade eu tava sem idéias para escrever aqui e foi a única coisa que me ocorreu.

Passar na prova de mestrado
Isto eu preciso fazer no máximo até o dia 02/02. E está intimamente ligado ao item 5 desta lista: eu preciso estudar. O único problema é que para estudar, eu preciso de silêncio. Ou pelo menos, eu preciso conseguir controlar minimamente o barulho em minha volta, coisa que eu não consigo na casa dos meus pais. Então, eu só começo a me preocupar de verdade com isto dia 05 do ano que vem. Mas não é por minha culpa nem algo cabalístico com relação ao ano novo.

Fazer um botão pro blog
Já me enchem o saco por causa disso desde que comecei com o blog. Eu preciso de um botão (ou selo) pra ele, como os que existem aqui do lado, ó. A não ser que alguém que sabe fazer se solidarize da minha pobre pessoa (eu podia tar roubando, eu podia tar matando...), este item está ligado ao item 4 da lista: preciso aprender a mexer no Corel.

Mudar o layout do blog
Não sei da opinião de quem entra no blog, mas eu sinceramente não gosto do layout daqui. Mas como eu tenho preguiça e não tenho muito jeito pra fazer algum melhor, por enquanto fica este aqui mesmo.

Aprender a trabalhar no Corel
Na verdade eu não preciso de verdade. Mas tenho vontade de aprender, por curiosidade mesmo. O único problema é que eu não tenho qualquer vocação artística, qualquer habilidade gráfica ou para qualquer coisa deste jeito. Pra terem uma idéia, a matéria que eu mais cheguei próximo de reprovar nos meus tempos de colégio foi Artes (ou Educação Artística). Ou seja: eu não tenho jeito MESMO.

Começar a estudar
Eu sou muito vagabundo. Extremamente. Se for somar todos os dias que eu estudei DE VERDADE nos cinco anos de faculdade, deve dar, chutando muito alto, uma semana. Mas eu sinto que agora, fazendo mestrado, eu vou precisar virar gente e começar a estudar. O problema é que cansa. Quando eu paro pra estudar, minha atenção nos livros dura 5 minutos, no máximo.

Resolver algumas pendências pessoais
Não que eu me importe com os motivos, mas eu queria saber por que tanta gente não vai com a minha cara (nem pense em comentar esta parte, Aninha), principalmente as pessoas que estudaram comigo na facul. É mais por curiosidade, e eu quero saber. Não que isto vá mudar alguma coisa.

Parar de ficar adiando as coisas
Eu tenho uma séria mania de ficar adiando as coisas. Sempre arrumo algo inútil pra fazer para não dar tempo de fazer as coisas que realmente importam. Eu preciso parar com isto.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Mau-humor de Fim de Ano

Eu odeio final de ano. Não gosto, não adianta. Mas isto também não tem nada a ver com aquele discursozinho que todo mundo faz, de que no final do ano somos todos hipócritas, que as pessoas são falsas ou que, então, o propósito do natal já foi esquecido - pra começar, natal não é uma data cristã: este dia vem de muito antes do cristianismo e sempre foi uma época de dar e receber presentes; então o propósito do natal é, realmente, dar e receber presentes. Ponto parágrafo.

Roubado Retirado do Depósito do Calvin.

Mas volto ao ponto. O fim de ano é uma das épocas mais sem sentido que existem. Ok, o natal até passa: tem toda uma tradição, que vem de muito tempo, e, além de tudo, tem presentes. Você tem que dar presentes, mas pelo menos recebe alguns também. Então tá, o natal está perdoado. Apesar de todas aquelas músicas insuportáveis de natal, o CD da Simone, as pessoas que você não gosta e que não gostam de você te desejando feliz natal... o natal está perdoado. O Natal passa, porque tem presente.
Mas o reveillon não dá pra perdoar. Não tem como. É uma data totalmente sem propósito, sem necessidade, onde nada acontece. Junta todo aquele povo de branco na praia, perto da meia-noite do dia 31. Quando chega a meia-noite, depois de várias contagens regressivas não simultâneas, algum infeliz estoura a champagne (ou melhor, o espumante: bem mais barato) e pronto. NÃO ACONTECE NADA! Todo mundo fica naquela coisa besta de 10, 9, 8, 7... 3, 2, 1 E NADA! Nada acontece: não vêm milhares de anjinhos com trombetas trazendo uma criancinha com uma faixa escrita 2009, nem, sei lá, uma nave alienígena da Federação da Luz trazendo uma mensagem de que vieram em paz, para nos trazer amor. NADA!
Voltamos ao final da contagem regressiva: 3, 2, 1! Estoura-se a champagne o espumante, tem um ou outro foguete explodindo, algumas pessoas perdem algum dedo, ou o braço e PARA QUE? Um ano novo chega, trazendo mudanças na vida das pessoas e blá, blá, blá. Não muda porcaria nenhuma.

Isto sem contar as tradições e simpatias de ano-novo. Isto é o mais divertido de se ver. Para se ter sorte no ano que vem, deve-se segurar uma taça de champagne com a mão esquerda, um prato de lentilhas com a mão direita e 12 uvas no nariz (é, como uma foca), e pular sete ondas, cantando cara-caramba-cara-cara-ô enquanto se bebe da champagne e se come as uvas e as lentilhas.
E ainda, para conquistar o/a seu/sua gato/a neste ano que se inicia, você precisa escrever o nome dele/a na sola do seu sapato ESQUERDO (se escrever no direito, já era) e, quando a meia-noite, você precisa subir uma escada pulando com este pé esquerdo, enquanto repete o nome do seu amor. E tudo isso, claro, usando uma cueca/calcinha vermelha; senão não funciona.

Mas enfim, pra não dizerem que eu sou um cara tão chato assim, existiram revellions que foram legais pra mim. Um ou dois, no máximo. E nos dois foi porque, quando estava toda a galera na praia, esperando os anjinhos trazerem a criancinha com a faixa, o tempo fechou e caiu AQUELA CHUVA! E daí foi gente correndo para todos os lados, tentando não molhar a roupa branca ou estragar a chapinha. Enfim... foi divertido! Mas só porque choveu e acabou com a festa.

Como diz a Raquel, no final do ano, dia 24 o meu mau-humor diz "Olá!". Mas assim que termina a São Silvestre, ele toma conta. E o pior que um coma alcoólico nem é uma opção viável nesta época do ano. Pelo menos não com a família.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Top 10 Livros, Parte II

De novo eu afirmo: estes livros são os que EU mais gostei quando li. São os que mais me marcaram. São os que eu leio e releio, com algumas partes que até decorei.

Bom, terminando a lista dos 10 melhores livros que eu já li:

5. Olhai Os Lírios do Campo - Erico Veríssimo

"Era-lhe vagamente incômodo ser assim descoberto, assim adivinhado nos sentimentos mais íntimos. Ele relutava em concordar, em se dar por vencido. Mas era inútil. Os olhos de Olívia pareciam ver além das coisas físicas. E por que era que ele nunca se zangava, nunca se irritava com as observações dela, por mais diretas, cruas e contundentes que fossem? Por que era que ele não se irritava mesmo quando, com espantoso olho clínico, ela botava o dedo nas suas feridas mais profundas?"
O livro conta a história de Eugênio Fontes, filho de um modesto alfaiate que consegue, apesar de todas as dificuldades, se formar em medicina. Se apaixona por Olívia, sua colega de faculdade mas, apesar disto, se casa com Eunice, filha de um rico empresário. O romance começa no momento em que Eugênio recebe o aviso de que Olívia está no hospital, morrendo, e decide ir para a cidade para vê-la. Durante a viagem, há flashbacks do passado de Eugênio, da sua infância infeliz, da faculdade de medicina, dos momentos com Olívia e do seu casamento com Eunice.
Basicamente, é uma história sobre o conflito humano da segurança versus a felicidade.

4. Do Amor e Outros Demônios - Gabriel García Márquez

"Enfim a tuas mãos hei chegado, onde sei que hei de morrer para que só em mim seja provado o quanto corta uma espada em um vencido."
História baseada em uma reportagem que Gabriel García Marquez fez para cobrir a remoção das criptas do Convento de Santa Clara, em que foi encontrado uma ossada com cabelos de aproximadamente 22 metros. Anos depois, García Marquez cria o romance sobre a menina Sierva Maria que, após ser mordida por um cachorro com raiva, é internada em um convento onde seria exorcisada. Mas o jovem padre responsável pelo seu exorcismo acaba se apaixonando por ela.

3. A Garota das Laranjas - Jostein Gaarder

"- Quanto tempo você consegue esperar?
Que diabo de resposta eu podia dar, Georg? Talvez fosse uma armadilha. Se dissesse "dois ou três dias", eu me mostraria impaciente demais. E, se respondesse "a vida inteira", ela podia pensar que eu não a amava tanto assim ou talvez que não fosse sincero. De modo que era preciso encontrar uma resposta intermediária.
Eu disse:
- Aguento esperar até que o meu coração comece a sangrar de alfição.
Ela sorriu, insegura. Então roçou o dedo em meus lábios. E perguntou:
- E quanto tempo demora?
Desesperado, eu sacudi a cabeça e resolvi dizer a verdade.
- Cinco minutos, talvez."
Georg, um rapaz de 15 anos, descobre uma carta escondida do seu pai, Jan, escrita poucos dias antes da sua morte há 11 anos. Nesta carta, Jan conta ao seu filho a história de um amor, que ele encontrara por acaso. Uma garota que sempre carregava um saco de laranjas. O livro alterna a narrativa do pai, através da carta, com a do filho, no presente.
Apesar de não ser tão conhecido como o famoso O Mundo de Sofia, este livro é, na minha opinião, o melhor do autor, a sua obra-prima. Uma história de como a vida nos dá e nos arranca a felicidade. Será que vale a pena?

2. Cem Anos de Solidão - Gabriel García Márquez

"Lembrando-se destas coisas enquanto aprontavam o baú de José Arcádio, Úrsula se perguntava se não era preferível se deitar logo de uma vez na sepultura e lhe jogarem a terra por cima, e perguntava a Deus, sem medo, se realmente acreditava que as pessoas eram feitas de ferro para suportar tantas penas e mortificações; e perguntando e perguntando ia atiçando a sua própria perturbação e sentia desejos irreprimíveis de se soltar e não ter papas na língua como um forasteiro e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo."
A história deste livro se passa na fictícia Macondo e acompanha a família Buendia, que fundou a cidade. Uma cidade quase esquecida pela morte, uma criança com rabo de porco, um homem seguido por borboletas amarelas, uma mulher - a mais linda que já existiu na terra - que sobe aos céus, tudo isto se mistura na narrativa sobre revoluções, guerras, incesto, corrupção e, principalmente, loucura, neste realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez.
Cem anos de solidão é um livro um tanto complicado de ler, tanto pelo sua densidade quanto por uma escolha do autor: quase todos os homens da família Buendia se chamam ou Aureliano ou José Arcadio. Existe até um momento do livro em que aparecem 17(!) Aurelianos Buendia ao mesmo tempo, o que torna a história um pouco difícil de ser seguida. Mas o livro compensa qualquer dificuldade: é belíssimo, com uma história fantástica e personagens marcantes.

1. O Tempo e o Vento - Erico Veríssimo

"- Olhe aqui. Vou lhe dar uma idéia. Antes de começar o assalto, porque vosmecê não me deixa ir ao casarão ver se o Cel. Amaral consente em se render pra evitar uma carnificina?
- Não, padre. Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti. Não é assim que diz nas Escrituras? Se alguém me convidasse pra eu me render eu ficava ofendido. Um homem não se entrega."
- Mas não há nenhum desdouro. Isto é uma guerra entre irmãos.
- São as mais brabas, padre, são as mais brabas.
(...)
O padre viu o capitão dirigir-se para o ponto onde um grupo de seus soldados o esperava. A noite estava calma. Galos de quando em quando cantavam nos terreiros. Os galos não sabem de nada - refletiu o padre. Sempre achara triste e agourento o canto dos galos. Era qualquer coisa que o lembrava da morte. Voltou para casa, fechou a porta, deitou-se na cama com o breviário na mão, mas não pôde orar. Ficou de ouvido atento, tomado duma curiosa espécie de medo. Não era medo de ser atingido por uma bala perdida. Não era medo de morrer. Não era nem medo de sofrer na carne algum ferimento. Era medo do que estava para vir, medo de ver os outros sofrerem. No fim de contas - se esmiuçasse bem - o que ele tinha mesmo era medo de viver, não de morrer."
A história começa com a chegada de uma mulher grávida a uma das Missões Jesuistas no Rio Grande do Sul. Esta mulher iria dar a luz a Pedro Missioneiro, índio que tem visões sobre as lutas em que espanhóis e portugueses dizimaram as Missões. Pedro Missioneiro, após isto, conhece e se apaixona por Ana Terra, filha do dono de uma sesmaria no Rio Pardo. Este é o ponto de partida da trilogia O Tempo e o Vento, que segue a história das famílias Terra e Cambará, tendo como pano de fundo a história do Rio Grande do Sul,de 1680 a 1945.Com vários personagens fortes e marcantes, além da própria história, que consegue incluir estes personagens fictícios nos fatos reais, sem que se consiga diferenciar realidade de ficção, com certeza este livro merece o lugar de destaque nesta lista. Entre os personagens marcantes, destaco principalmente a Ana Terra, com a sua determinação, força e até uma certa teimosia, o médico alemão Carl Winter e a sua saudade da terra natal, mas sem conseguir deixar o lugar onde vive. Mas, sem sombra de dúvidas, o personagem mais marcante é o Capitão Rodrigo Cambará. Briguento, teimoso, impulsivo... É um personagem simplesmente fantástico. Foi expulso da cidade assim que chegou, mas decidir ficar e acabou ficando. Lutou todas as guerras que pôde e sempre quis morrer de bala, porque "Cambará macho não morre na cama". E ele já impressiona logo de cara, quando chega à cidade e a sua primeira fala é "Buenas e me espalho, nos pequenos dou de banda e nos grandes dou de talho", arranjando briga com a pessoa que depois seria um de seus melhores amigos.
O livro é fantástico. Ou melhor, os livros, uma vez que a história é dividida em três partes (O Continente, O Retrato e O Arquipélago), com dois ou três livros cada parte. Leitura recomendada.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Top 10 Livros, Parte I

ToEu gosto muito de ler. E gosto muito de ter livros e marcar as principais passagens de cada um deles, para ler depois e usar as citações.
Devido a este fato, decidi fazer uma lista dos melhores livros que eu já li, sem qualquer pretensão de ser um guia literário o coisa parecida. São os que EU mais gostei, que mais me tocaram a alma. Alguns por eu ter me identificado com algum dos protagonistas, outros pela história excepcional. Mas todos conseguiram me manter preso neles por um bom tempo e todos eles eu releio e toda vez que releio, me impressiono com coisas diferentes.

Bom, sem mais palavrório, eis a lista. Como ficou muito grande, eu preferi por separá-la em duas partes. Em ordem de preferência:

10. O Velho e o Mar - Ernest Hemingway

"É sempre assim. Morre-se. Não se compreende nada. Nunca se tem tempo de aprender. Envolvem-nos no jogo. Ensinam-nos as regras e à primeira falta matam-nos"
Este livro - que conta a história de um velho pescador que depois de 84 dias sem pescar nada consegue fisgar um peixe de tamanho descomunal - é um livro que muitos diriam ser chato - e, de certa forma, é mesmo. Mas isto não tira a beleza do livro, com a solidão do velho em alto mar, suas esperanças, alegrias e tristezas.

9. O Estrangeiro - Albert Camus

"Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem dificuldades passar 100 anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se entediar."
O que mais se nota neste livro é a frieza com que o personagem principal, Mersault, encara a sua vida e tudo o que acontece à sua volta. Desde a morte da sua mãe - que acontece logo no primeiro parágrafo do livro - até a sua prisão e condenação à morte por ter matado um homem, Mersault recebe tudo com uma indiferença que beira o absurdo. Até que, no último momento de sua condenação, parece acordar desta espécie de torpor.

8. A Insustentável Leveza do Ser - Milan Kundera

"'Não poderia descobrir alguma coisa nova?'. Esta frase contém toda a condenação do homem. O tempo humano não gira em círculos, mas avança em linha reta. É por isso que o homem não pode ser feliz, pois a felicidade é o desejo de repetição."
Einmal ist keinmal - traduzindo porcamente: uma vez não é nada. Segundo o livro, em um resumo não muito bom, as situações por que passamos podem se repetir indefinidamente, devido a sua finitude frente a infinitude do tempo. Outro tema abordado neste livro é a dualidade peso/leveza, em que, como mostrado no livro, a leveza pode ser mais insuportável que o peso. Mas ainda o que mais me chamou a atenção foi o capítulo sobre a compaixão, em que o autor compara o sentido da palavra nas línguas germânicas e latinas. A história do livro se passa em Praga e Viena, e narra os problemas amoros de quatro pessoas: Tomás, Teresa, Sabina e Franz.

7. Crônica de Uma Morte Anunciada - Gabriel García Márquez


"Por último, fizeram as facas cantar na pedra, e Pablo pôs a sua junto a uma lâmpada para que o aço brilhasse. - Vamos matar Santiago Nasar - disse."
Santiago Nasar é acusado injustamente de ter desonrado Ângela Vicário e é assassinado pelos seus irmãos. Apesar de toda o vilarejo saber de que Santiago iria ser assassinado, nada consegue
salvá-lo. Neste livro, Gabriel García Marquez monta um quebra-cabeças com a história deste assassinato, através de testemunhos de diversas pessoas que estiveram com Santiago nas suas últimas horas. Um livro curto e direto, com um rigor quase jornalístico.

6. Pergunte ao Pó - John Fante

"Uma noite, eu estava sentado na cama do meu quarto de hotel, em Bunker Hill, bem no meio de Los Angeles. Era uma noite importante na minha vida, porque eu precisava tomar uma decisão quanto ao hotel. Ou eu pagava ou eu saía: era o que dizia o bilhete, o bilhete que a senhoria havia colocado debaixo da minha porta. Um grande problema, que merecia atenção aguda. Eu o resolvi apagando a luz e indo para a cama."
Um livro basicamente sobre a solidão. Conta a história do quase-escritor Arturo Bandini, que tenta escrever sobre a vida e o amor e se apaixona por Camilla, uma garçonete mexicana.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Querido Papai Noel,

Eu vi no blog da aninha que ela fez um lista dos presentes que ela queria ganhar nesse final de ano e, confesso, fiquei com inveja: também quis fazer uma lista dessas. Ainda mais com a crise criativa que ataca este blog atualmente. Copiei sim, e daí? Não gostou, é dois trabalho.
As pessoas que mais convivem comigo sabem que eu peço vários presentes todos os dias e nunca ganho de ninguém (fiquem com pena agora!). E como o natal está chegando, tá na hora de vocês tirarem o atraso e me encher de presentes.

Existem presentes de todos os tipos e preços, então você não tem a desculpa de que não tem grana pra me dar presente. Pare de tentar me enrolar!


DVDs dos Cavaleiros do Zodíaco

Uma das maiores frustações da minha infância foi ter perdido os três últimos episódios da Saga do Santuário. Eu sempre assistia até aquele episódio em que o Seya passa pela casa de Peixes, onde a bicha do Afrodite faz aparecer aquele quintal cheio de rosas em que o Seya se estrupia e desmaia. Depois desse episódio, sempre acontecia alguma coisa que me fazia não ver os outros.
Então, se você se compadeceu desta pobre criança traumatizada, você pode comprar os DVDs do anime. Eu agradeceria muito.


X-Box 360 ou Playstation 3

Já até sei que vai ter alguém que vai dizer "mas você já tem um Wii, por que mais um videogame?". E eu respondo: porque com o Wii eu não posso jogar alguns dos jogos mais fodásticos que saíram para a nova geração de videogames. Pra isso, eu preciso de um PS3 ou um 360. Simples assim.
E além disso, pra que eu quero vida social?


Flying Clock, o despertador voador

Eu tenho um sério, seríssimo, problema para acordar cedo. Já perdi provas e apresentações de seminários porque simplesmente aqueles 5 minutos de soneca se tornaram, como mágica, em algumas horas de coma profundo. E para isto eu peço a sua ajuda, me dando de natal este sensacional despertador.
O diferencial deste é que a chave para desligar o despertador está acoplada em uma hélice. Quando chega a hora do vagabundo aqui tirar o traseiro gordo da cama para ir pra aula, esta hélice começa a voar. Simples assim. E para desligar o despertador, você tem que achar a porra da hélice, que pode estar em qualquer canto do quarto. O único problema é que eu nunca mais vou poder dormir de janela aberta.


Livros

Eu definitivamente preciso conhecer livros de autores diferentes dos que eu já conheço. Já li quase todos os livros dos meus autores preferidos e não sei mais de nenhum que valha a pena ler. Então estou aceitando presentes.


DVDs de filmes

Eu recomendo efusivamente que a pessoa que quer me ver feliz compre pra mim o DVD do Wall-e, o longa de animação mais ultra-mega-fodástico já feito na história. Mas aceito outros títulos também.


Livro Onde Está o Wally

É sério! Eu passaria horas procurando este indivíduo com gosto duvidoso para roupas nas páginas do livro. Até hoje eu lembro das tardes felizes com o nariz quase encostado no livro, tentando encontrar este sujeito. Época feliz esta.


Lava Lamps

Eu acho legal estas luminárias. Completamente inúteis, mas são legais.


Mesa de Aero Hockey

Aero Kockey: esporte praticado principalmente em shoppings. Com a sua ajuda, eu poderia praticar ele também na minha humilde residência, me proporcionando momentos de alegria. Quem nunca perdeu um bom tempo jogando isso, comemorando como se tivesse feito um gol numa final de copa do mundo a cada ponto marcado? Eu até deixo a pessoa que me der esta mesa de presente jogar algumas vezes aqui em casa. Prometo!


Sabre de Luz

O sonho máximo de qualquer nerd! Um sabre de luz (eu quero o azul) que ainda tem o som do uoóóón. Definitivamente eu quero um desses.


Lançador de Mísseis USB

Nada melhor para defender a minha permanência no computador do que esta sensacional invenção. Se alguém tentar me tirar do pc, leva um míssil na cabeça!


PS: Alguns presentes são parecidos ou iguais aos que a aninha pediu. Mas eu juro que foi coincidência.

sábado, 29 de novembro de 2008

SOS SC

Bom, mudando um pouco o foco do blog, é hora de fazer um post sobre coisa séria, pra variar um pouco:

Nessas horas em que o mundo parece que tá acabando em alguns lugares, como acontece com Santa Catarina desde semana passada, é que eu acho que todo mundo deve se esquecer dos seus problemas (que então parecem pequenos demais), parar de tentar descobrir de quem é a culpa para fazer algo útil para as outras pessoas.
Através do Quem Matou a Tangerina?, blog do qual eu sou leitor há algum tempo, soube de uma campanha que está rolando na blogosfera, de iniciativa do Papo de Homem e do Alles Blau, que está fazendo uma ótima cobertura sobre a catástrofe.
É o seguinte: cada um se compromete a doar R$100,00 para o Fundo Estadual da Defesa Civil de Santa Catarina e indica mais 4 pessoas a fazer a doação também. Eu não fui indicado, mas me senti quase na obrigação de participar: sou de Santa Catarina também, tenho parentes e amigos morando na região atingida e eu, de certa forma, sei o que é viver em uma região que sofre com enchentes.
Pra quem não sabe, eu sou de Rio Negro/Mafra e algumas vezes o rio que dá nome à cidade já encheu e, felizmente, nunca atingiu a minha casa. Mas mesmo assim, em uma vez já vi o rio chegar muito perto da casa que eu morava na época. E, definitivamente, não é uma sensação que você desejaria pra alguém.
Além disso, tenho acompanhado de perto a situação de lá. Através de amigos, parentes e pelos sites de notícias (principalmente o clickrbs, que está fazendo uma cobertura sobre a tragédia). Tragédia esta que atingiu a todos, sem distinção: ricos, pobres, crianças, adultos, homens, mulheres... E alguns casos que chocam e nos fazem sentir impotentes, a exemplo deste trecho, retirado do Blog do Reinaldo Azevedo:
“No domingo 23, o operário André Oliveira, de 29 anos, deixou a família na casa de um parente, no município de Gaspar, e foi ao mercado. A poucos passos do portão, ouviu um estrondo. Ao olhar para trás, viu a mulher na varanda e os filhos no quintal. "Saiam daí", gritou. Não deu tempo. O morro próximo veio abaixo soterrando, além da sua casa, uma dezena de outras. Oliveira ainda ouviu o choro da filha de 3 anos, Ester. Tentou tirá-la dos escombros, mas dois novos desabamentos se sucederam. Quando resgatou os corpos, viu que sua mulher morrera abraçada à menina.”
Um perda dessas não tem como curar. O que nos basta pra fazer é tentar remediar os prejuízos materiais e tentar fazer com que as pessoas que perderam tudo ou quase tudo com esse desastre possam voltar a ter uma vida parecida com a que tinham antes.


Então. A minha doação eu já fiz e passo pra frente pra todos os blogueiros que eu conheço pessoalmente:


Segue o passo a passo, feito pelo Gulherme Nascimento Valadares, do Papo de Homem:

1. Fez seu post, doa R$100 - deixa de ser mão de vaca, é R$100 mesmo, imagina se fosse você que tivesse perdido tudo. Se o seu amigo for universitário quebrado e chorão, aí sim deixa doar R$50. Só não deixa ficar de fora.

2. Chama mais 4. Se eles fizerem corpo mole, pode chamar os caras de imbecis. Todo mundo tem grana pro bar, pra balada, pra comprar porcaria. Não adianta vir com papo de biba.

3. Linka o Alles Blau, que vai catalogar todos os participantes.


As contas para as doações são as seguintes:
Banco do Brasil: agência 3582-3, conta corrente 80.000-7
Besc: agência 068-0, conta corrente 80.000-0
Bradesco: agência 0348-4, conta corrente 160.000-1
Caixa Econômica Federal: agência 1877, operação 006, conta 80.000-8
Itaú: agência 0289, conta corrente 69971-2
O depósito para as contas deve ser creditado ao Fundo Estadual de Defesa Civil-Doações. O CNPJ da Defesa Civil é 04.426.883/0001-57

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sobre a (im)perfeição

Parafraseando o Poeta (e já pedindo desculpas por isto), as muito perfeitas que me perdoem, mas algum defeitinho é fundamental. É preciso que exista, por menor que seja, um defeito, uma pequena imperfeição que faça todo o resto parecer ainda mais belo. Uma mulher perfeita e, em absoluto, sem quaisquer defeitos aparentes, como uma boneca de porcelana, chama a atenção num primeiro momento mas logo perde o encanto. São os defeitos que nos fazem não conseguir parar de olhá-la.
Uma pequena cicatriz no joelho, uma marquinha no rosto chamam a atenção e criam um contraponto com a beleza dela, acentuando-a. Uma timidez bem medida, assim como um leve ar de tristeza, só a coloca em uma aura de fragilidade aparente, e nos faz querer cuidar dela, mimá-la, protegê-la de todo o mal que existe no mundo. Olhos um pouco grandes ou pequenos, uma mania de fazer caretas em horas inoportunas, um nariz um pouco mais arrebitado que o normal...
E sardas... Ah, as sardas! Não há nada mais bonito do que algumas sardas na região das bochechas e nariz. Nunca consegui entender por que as mulheres teimam tanto em escondê-las. Nada consegue deixar um rosto tão perfeito (em especial nas ruivas) quanto um tantinho de sardas espalhadas em baixo dos olhos.
É preciso que tudo isso exista e que não seja mais do que um detalhe, só para olhos atentos, só para quem sabe vê-los. É preciso não conseguir (e sequer querer) saber de onde vem aquela imperfeição, que se note sem que se veja. Ou então é preciso que esteja à vista, que te chame a atenção mas que não ofusque a beleza dela. Aliás, é preciso até que potencialize a sua beleza, tornando-a perfeita através de suas imperfeições.

Nós as notamos pela sua beleza, mas nos apaixonamos pelas suas pequenas e perfeitas imperfeições.

sábado, 25 de outubro de 2008

Falais baixo se falais de amor

Shakespeare era um gênio. Isto não tem nem como discutir: qualquer pessoa já ouviu isso e concorda, mesmo que alguns nem saibam porque. E esta frase, "falais baixo se falais de amor", é, na minha modesta opinião, uma das mais certeiras e perfeitas sobre o tema.
Não existe nada mais assustador (sim, assustador é uma palavra forte pra isso; mas é este o objetivo mesmo) do que ter alguém que grita que te ama aos quatro ventos e que diz para todos quão perfeito você é. E é assustador por um simples motivo: isto gera expectativas; te obriga a ser aquilo que a pessoa idealiza que você seja e, ao menor deslize teu, você vai machucar e decepcionar todos aqueles à sua volta que acreditaram que você era aquele exemplo de pessoa.
Me obrigo a abrir um parênteses aqui: costumo dizer que o melhor que você pode querer de alguém é que ele não espere nada de você; afinal, você nunca vai decepcioná-lo. Qualquer coisa que você faça razoavelmente bem será recebida como a maior das suas superações. Talvez escreva sobre isso mais tarde.
Voltando ao assunto, deve-se falar baixo ao falar de amor porque, na melhor das hipóteses, ele causa inveja. E inveja é um dos sentimentos mais destrutivos que uma pessoa pode ter: não por causa das energias negativas ou olho gordo. Simplesmente porque a inveja é terreno fértil para o surgimento de intrigas e boatos que podem destruir a imagem de alguém em poucos segundos.
É fácil notar: aqueles casais apaixonados, sebosos e grudentos (viu só?), que passam tardes inteiras discutindo quem ama mais o outro são, quase sempre, excluídos de qualquer convívio social. Ninguém gosta deles, nem os seus amigos de antes. E estes, na maioria dos casos, querem que tudo volte a ser o que era antes, quando os dois eram sozinhos.
Também existe o caso mais insuportável entre aqueles que gritam palavras de amor pra quem quiser ouvir: o amor platônico. São aquelas pessoas que acham que vão conquistar a pessoa amada no grito; que acreditam que fazer todos no mundo saber deste sentimento vai trazer ele pra você. Amarga ilusão: isto só vai fazer com que ele se distancie mais ainda. Vai fazer com que qualquer resto de respeito que ele tenha pelo seu sentimento desapareça. E você vai perder ele de vez.

Por isso eu repito Shakespeare: falais baixo se falais de amor. O amor é um dos sentimentos mais suaves que existe. É o contraponto da loucura.
O amor é o sentimento de portas fechadas e palavras sussurradas.


"Se tu me amas, ama-me baixinho.
Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!

Se me queres, enfim,
tem de ser bem devagarinho, amada,
que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda."

(Mario Quintana - Bilhete)